60% das escolas estaduais têm sala de aula lotada porque tucanos não cumprem metas na Educação

22/08/2011 15:17:00

Descaso

 

As turmas de ensino básico na rede estadual estão com mais alunos que o recomendado pelo próprio governo. A situação pode ser encontrada em mais de 60% das escolas. Levantamento da Bancada do PT na Assembleia paulista aponta que o problema foi agravado porque o Estado não cumpriu as metas de construção de salas.

Leia abaixo reportagem do jornal Folha de S. Paulo:

60% das escolas de SP têm sala lotada

Mais de 60% das escolas estaduais paulistas de ensino básico possuem ao menos uma série com mais estudantes em sala que o recomendado pelo próprio governo de São Paulo. Em 64% delas, há problemas em mais de uma turma.

Estudantes reclamam que são obrigados a ficar apertados, a “caçar” carteiras em outras salas e até a dividir assentos com colegas, pois chegam a faltar carteiras. O levantamento de escolas com salas superlotadas foi feito pela Folha de S. Paulo, com base em dados do Ministério da Educação (Censo Escolar 2010). A Secretaria Estadual da Educação reconhece o problema e informa que hoje 890 mil estudantes estão em salas com mais alunos que o indicado (22% do total).

A reportagem encontrou turmas com mais de dez alunos acima do recomendado. É o caso do primeiro ano do ensino médio da escola Maria Luiza Martins Roque, na periferia sul da capital.

Ali, Carla (nome fictício), 15, possui outros 51 colegas. “É um desastre. Fica aquele abafamento, muito barulho. Algumas vezes, os alunos precisam dividir carteiras” -a secretaria nega que falte mobiliário na sua rede. De 2009 a 2011, houve pequeno aumento no número de estudantes de ensino médio em classes lotadas, mas redução no fundamental. Desde 2008, a recomendação da Secretaria da Educação é que, do primeiro ao quinto ano do fundamental, as salas tenham até 30 alunos; do sexto ao nono ano, 35; e no médio, 40.

Meta não cumprida

A situação é mais crítica nos cinco primeiros anos do fundamental, no qual 30% das turmas estão superlotadas. Nessa etapa, SP é a terceira rede estadual com a maior média de alunos por turma do país. Na rede municipal paulistana, a proporção de escolas com mais alunos que o recomendado é 50% menor do que na estadual.

O problema foi agravado porque o Estado não cumpriu as metas de construção de salas: entre 2008 e 2010 estavam previstas 3.447, mas 903 foram entregues, segundo levantamento da Liderança do PT na Assembleia paulista.

A gestão Alckmin diz esbarrar na falta de terrenos para construir escolas. Pesquisas divergem sobre o impacto do tamanho das turmas no desempenho dos alunos. Alguns apontam efeito nulo. Outros defendem a redução das turmas.

Uma posição com adeptos nos dois lados é que classes menores podem ajudar públicos específicos, como alunos carentes. “E infelizmente são essas escolas que são grandes”, disse o pesquisador da Universidade Federal de Minas Francisco Soares.

Docente da Faculdade de Educação da USP, Romualdo Portela defende que o governo deva evitar só “exageros” no tamanho das turmas e investir mais em programas em que haja mais certeza de ganhos educacionais.

*fonte: Folha de S. Paulo (22/8/2011 – reportagem: Takahashi)

 

 

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