Abordados mais quatro casos de mortos pela ditadura militar

20/03/2014

Comissão da Verdade

Nesta quinta-feira (20/3), a Comissão da Verdade Rubens Paiva, presidida pelo deputado Adriano Diogo (PT), recebeu novamente Suzana Lisboa, ex-integrante da Comissão Nacional de Mortos e Desaparecidos e ex-, militante da Ação Libertadora Nacional (ALN), que falou sobre os casos de Alexander José Ibsen Voeroes, Lauriberto José Reis, José Milton Barbosa e José Idésio Brianezi.

Os dois primeiros, militantes do Movimento de Libertação Popular (MOLIPO), teriam sido mortos, segundo a versão oficial, no dia 27/2/1972 em tiroteio com os agentes da repressão, após cerco ao local em que se encontravam. Durante o tiroteio, foi morto um funcionário público aposentado, Napoleão Felipe Biscaldi, aquinhoado com o T de terrorista, embora provavelmente morto por engano pelos policiais.

Maria Amélia Teles relatou diligência realizada em 1997 ao local do tiroteio, quando conversou com vizinhos. Nos depoimentos, foi mencionado o corpo de um jovem supostamente morto no tiroteio (provavelmente Alexander Voeroes) e jogado no porta-malas do carro dos policiais. Os vizinhos também relataram que teriam ouvido a informação de que outro militante fora morto em local próximo.

Diversos aspectos permanecem sem explicação, como a ausência de fotos no IML do corpo de Laurindo e as reais circunstâncias da morte de Napoleão Biscaldi. Os corpos de José Voeroes e Laurindo teriam sido levados nos porta-malas dos carros dos agentes da repressão enquanto que o de Napoleão teria ficado mais de cinco horas esperando a chegada do IML na rua, fato que também suscita interrogações.

José Milton Barbosa foi assassinado em 1971 no Sumaré, bairro da capital paulista. Enterrado como indigente no cemitério de Perus, até hoje não foi identificado e sepultado pela família. Foi vítima de tiroteio com agentes da repressão em que sua namorada, Linda Taiá de Melo, levou um tiro na cabeça. Levada viva para a prisão, Linda estava grávida e teve o filho na prisão.

As fotos de José Milton Barbosa morto levam a crer que foi levado vivo após o tiroteio. Embora haja fortes indícios de que a repressão conhecia seu verdadeiro nome, foi enterrado com nome falso, para dificultar sua identificação. A Comissão da Verdade quer novo laudo pericial e a exumação do corpo para o justo sepultamento.

Em 14 de abril de 1970, José Idésio Brianezi, militante da ALN, foi assassinado por agentes da repressão na pensão em que morava. Seu corpo foi enviado a Apucarana, sua cidade natal.

De acordo com a versão oficial, o militante teria morrido em tiroteio com os agentes da Oban, mas a foto contradiz as informações do laudo, levando a crer que não morreu no momento do tiroteio.

fonte: Agência Alesp

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *