Acidente não foi fatalidade: Metrô e Consórcio são responsáveis

26/08/2008 15:57:00

LINHA 4 DO METRÔ

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O laudo do Instituto de Criminalística (IC) sobre o acidente da Linha 4 do Metrô, em janeiro de 2007 que deixou sete mortos, aponta entre as causas a seqüência de explosões para a abertura do túnel no solo “rocha podre” e a falta de reforço em paredes do túnel.

O documento coincide em mais de 80% com as conclusões do laudo do IPT – Instituto de Pesquisas Tecnológicas –  e com o relatório que a Bancada do PT apontou em março de 2007, dois meses após o acidente.

Peritos do IC que trabalharam na investigação relataram ao jornal Folha de S. Paulo duas situações que resvalam em decisões do governo estadual. Uma delas é a escolha do modelo de contrato, conhecido como “turn key”, que delega mais autonomia às empreiteiras; e a profundidade da escavação. Para os peritos, se fosse 20 metros mais baixa, a característica do solo seria melhor e os riscos menores.

“Esperamos que sejam responsabilizados aqueles que tomaram as decisões erradas, sem ouvir a sociedade e todos os alertas que estavam sendo feitos sobre os problemas com aquela obra. Esperamos, ainda, que essa responsabilização não recaía sobre o ‘peão’ da obra, mas naqueles que tinham poder de decisão.  Essas irresponsabilidades não podem ser mais cometidas para que tenhamos segurança verdadeira nas obras públicas”, explicou o deputado Simão Pedro.

Laudo de acidente do metrô segue para o Ministério Público

O Instituto de Criminalística (IC) deve enviar ao Ministério Público os laudos sobre o acidente nas obras da estação Pinheiros da Linha Amarela do Metrô em janeiro de 2007. A informação é do deputado estadual Simão Pedro, que esteve no instituto no dia 22 de agosto para saber em que etapa se encontra a elaboração dos laudos.

Simão havia solicitado a audiência há mais de um mês e foi recebido pelo superintendente do instituto, Celso Periolli. O superintendente informou ao deputado que oito técnicos trabalham nos laudos.

Antes do acidente, Simão Pedro já havia denunciado problemas nas obras da Linha Amarela. Ao longo desse ano e meio, o deputado colaborou com a investigação, prestando informações ao Ministério Público e ao IC.

Recentemente, reportagem do jornal O Estado de S.Paulo informou que o consórcio Via Amarela, responsável pela obra, dificultou as investigações sobre o acidente, transferindo para outros locais os responsáveis pelo empreendimento. Essa atitude atrapalhou o trabalho dos técnicos do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) que apuravam as causas do desabamento. Mesmo com esse boicote, o IPT elaborou o laudo e apontou erros na execução da obra e falhas no processo de fiscalização.

Na mesma reportagem, o Estadão informou que os laudos do IC deveriam referendar as conclusões do IPT. O texto assinalava que, antes de seguir para o Ministério Público para ser anexado ao inquérito, o laudo do IC seria levado à cúpula da Secretaria de Segurança Pública.

Simão ficou preocupado com esse trecho da reportagem. “Estamos acompanhando o inquérito passo a passo”, garantiu. 

Leia abaixo matéria do jornal Folha de S. Paulo – 26/8/2008

Laudo do IC descarta fatalidade como causa de cratera

 

 

 

 

Peritos indicam 5 causas, além de fatores contribuintes, para a tragédia no metrô de Pinheiros, onde 7 pessoas morreram

Relatório aponta seqüência de explosões e falta de reforço em paredes do túnel; consórcio Via Amarela e Metrô não comentaram

O IC (Instituto de Criminalística) de São Paulo concluiu seu laudo sobre a abertura do buraco do metrô de Pinheiros e descartou que a tragédia tenha sido resultado de uma fatalidade, como os pareceres do Consórcio Via Amarela indicam.

O laudo do órgão da Polícia Técnico-Científica tem 193 páginas, 400 fotos e mil documentos anexados. Conforme a Folha apurou, aponta cinco “causas preponderantes” e um leque de “fatores contribuintes” para a cratera. Não traz, assim, um motivo único para levar ao acidente que deixou sete mortos em janeiro de 2007.

Na lista das causas estão a seqüência de explosões para a abertura do túnel no solo de “rocha podre” -mesmo depois do rebaixamento do terreno.

O IC também considerou que, se as construtoras tivessem reforçado as paredes do túnel após os sinais de instabilidade, a cratera poderia ter sido evitada. O consórcio não concluiu a instalação de tirantes (estruturas de sustentação).

Peritos do IC que trabalharam na investigação relataram à Folha duas situações que resvalam em decisões do governo estadual -embora não as tenham incluído como causas.

Uma delas é a escolha do modelo de contrato, conhecido como “turn key” (chave na mão, numa tradução livre), que delega mais autonomia às empreiteiras. A outra, a profundidade da escavação. Para os peritos, se fosse 20 metros mais baixa, a característica do solo seria melhor e os riscos, menores.

Mesmo diante do terreno ruim, ressalvaram, há tecnologia suficiente para escavação no tipo de solo encontrado.

Os fatores citados pelo IC são semelhantes às conclusões do relatório do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas). Contratado pelo Metrô e divulgado em junho, ele não fez críticas diretas ao tipo de contrato, mas citou problemas na fiscalização da obra, a cargo da companhia, e na qualidade do material.

O promotor Arnaldo Hossepian disse que não recebeu cópia do novo laudo, mas, a partir de conversa com peritos do IC, afirmou estar satisfeito porque as conclusões da polícia e do IPT devem coincidir em 80%.

Via Amarela e Metrô disseram desconhecer os resultados do IC e não se manifestaram.

 

 

 

 

 

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