Água imprópria: ONG recorrerá à Corte Internacional contra a Sabesp

16/01/2010 10:46:00

Risco à saúde pública

 

A ONG Princípios, que atua no litoral paulista, pretende fazer uma reclamação junto a Corte Internacional dos Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA) contra a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), por considerar “nocivo à saúde pública” os serviços prestados pela empresa, que efetua o tratamento e distribuição de água e esgotos na região. A Organização, situada no município de Guarujá – atingida por um surto de diarréia, – move Ação Civil Pública contra a Sabesp desde 2007 e ingressou nesta semana com uma medida cautelar, solicitando que o judiciário determine medidas drásticas contra a empresa, sob risco de colapso no sistema de saúde pública da cidade.

“É inegável que a água servida no Guarujá está comprometida. Qualquer mãe ou dona de casa percebe a olho nu a má qualidade do produto que sai das torneiras”, afirmou o advogado Sidnei Aranha, representante da Organização. Na última quinta-feira, ele  visitou Bertioga, onde foi analisar os laudos que constataram que a água servida no município, segundo relatório da própria Sabesp, estava imprópria para consumo humano, contaminada por coliformes termotolerantes. “Na verdade, a situação da água fornecida no litoral é muito mais grave do que se imagina”, relata.  “Já procurei o Ministério Público Estadual sobre o assunto, que se limitou a abrir inquérito civil público, que nunca deu em nada. Nem a imprensa divulga nada, já que a Sabesp é grande anunciante dos veículos. Por isso, pretendo acionar órgão internacional”, diz ele.

Aranha faz uma grave denúncia: as águas servidas no litoral estão contaminadas por trialometanos, uma reação do cloro com materiais orgânicos da água, que dão origem a cloretos, substâncias altamente cancerígena. “Isso ocorre em todas as cidades onde não existe estágio de filtração e excesso de cloração da água, como acontece no Guarujá, Baixada Santista e em várias cidades paulistas. A omissão chega às raias da crueldade”, denuncia o advogado. Ele diz ainda que os laudos efetuados com periodicidade trimestral pela Sabesp, são encaminhados para a Vigilância Sanitária, cujos técnicos os engavetam, sem saberem interpretá-los. “Se a imprensa tiver acesso aos laudos que são realizados pelo Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo, para onde são enviadas as amostras suspeitas, certamente constatarão as minhas denúncias”. 

Nota Sabesp

Já a Sabesp divulgou nota nesta semana alegando que “não há qualquer problema com a qualidade da água entregue pela Sabesp no Guarujá. A água fornecida à população é potável e atende aos padrões estabelecidos pela portaria 518, do Ministério da Saúde.

fonte: Brasília Confidencial – 16/1/2010

 

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