Apeoesp divulga nota contra parcialidade da imprensa em relação à greve

18/06/2008 18:30:00

Greve dos professores

 

Lamentável o editorial “A greve do professorado”, publicado hoje, 18 de junho, no jornal O Estado de São Paulo. Evidentemente, defendemos o direito dos órgãos de comunicação de manifestarem seus pontos de vista em editoriais e artigos de opinião, mas não podemos concordar com a parcialidade do Estadão em relação à greve dos professores, repercutindo unicamente as informações e interesses do governo Serra.

Em primeiro lugar, o editorial reproduz, sem questionar, a avaliação do governo de que apenas 2% da categoria aderiu à greve. Fosse nossa paralisação tão insignificante, não haveria razão para a verdadeira campanha do governo e de certos órgãos de comunicação contra o nosso movimento.

Em segundo lugar, é um acinte a acusação de que nossa greve é política e de que teria algo a ver com a campanha eleitoral. Não nos movemos por interesses eleitorais e sim pela defesa de nossos direitos duramente atacados pelo governo José Serra ? e pela defesa da escola pública.

Estamos há três anos sem qualquer reajuste salarial e o governo não cumpre a lei da data-base, de autoria do próprio executivo. Também não negocia com a APEOESP e demais entidades da Educação e do funcionalismo.

O jornal também faz uma inaceitável ilação entre a greve e o fato de o atual presidente da APEOESP ser suplente de senador pelo PT. O presidente da APEOESP foi eleito em processo direto e democrático pelos professores e professoras da rede estadual de ensino e, como cidadão pleno de direitos, pode ser suplente de senador ou ocupar outro cargo eletivo. É curioso que o Estadão não questione lideranças empresariais conservadoras na mesma situação.

Questionamos, sim, as medidas adotadas pelo governo estadual e estamos exercendo nosso direito constitucional de lutar pela sua revogação. O governo já havia instituído a lei 1041/2008, pretendendo impedir que os professores possam realizar consultas e tratamentos médicos, ao limitar a apenas seis ao ano o número de abonos de faltas para esta finalidade. Agora, de uma penada, com o decreto 53.037, quer cassar o direito à transferência dos professores para unidades mais próximas de suas residências e instituir um processo seletivo para submeter professores com 10 ou 20 anos de dedicação à escola pública, mantendo-os na precária condição de temporários, quando deveria promover concursos públicos para efetivar o conjunto dos professores da rede estadual de ensino.

Cabe ao Estado assegurar as melhores condições para que o processo de ensino-aprendizagem ocorra nas escolas estaduais. No entanto, isto não vem acontecendo. Ao invés de melhorias na infra-estrutura das escolas, soluções cosméticas. Ao invés de mais democracia e participação dos professores, alunos e comunidade, medidas autoritárias e a eliminação da liberdade de cátedra e do direito dos conselhos de escola de definir o projeto político-pedagógico mais adequado a cada unidade escolar.

Não é a primeira vez que o Estadão perfila ao lado dos que são contra a democracia. Mas a nossa greve continua crescendo e vai prosseguir, porque ela é justa. Nossa vitória contribuirá, sim, para a melhoria da qualidade do ensino nas escolas estaduais, porque a valorização do magistério é condição fundamental para a boa qualidade da educação pública.

Carlos Ramiro de Castro

Presidente da APEOESP

 

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