Apesar das previsões de mudança climática, Serra reduziu combate às enchentes

17/06/2010 16:56:00

Falta de planejamento

 

 

A previsão de que o efeito estufa deve elevar cada vez mais o nível de chuvas em São Paulo nas próximas décadas e a notícia sobre a duplicação da ocupação urbana podem tornar-se uma ‘tragédia anunciada’ para os paulistanos. É que serviços essenciais para minimizar esses problemas, como a construção de piscinões, foram negligenciados durante o Governo de José Serra.

A publicação de metas previstas e realizadas pelo governo estadual nos últimos anos revela que havia a previsão de construção de seis piscinões na cidade de São Paulo. Mas somente três foram concluídos. A análise do Plano Plurianual aponta ainda que estavam previstas 21 intervenções referentes a serviços e obras complementares na Bacia do Alto Tietê, mas só foram realizadas 15 destas intervenções destinadas a facilitar o escoamento das águas.

Também essencial na prevenção de enchentes, a limpeza e conservação de canais e corpos d’água, que inclui o desassoreamento, deixou de retirar 2,6 milhões de metros cúbicos do material que obstrui o fluxo das águas e, portanto, reduz a capacidade de vazão de rios e córregos.

Vulnerabilidade

Soma-se a estas informações uma pesquisa divulgada esta semana pelo Centro de Ciência do Sistema Terrestre do Inpe, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, e pela Unicamp, que revela que a região metropolitana de São Paulo vai ficar mais suscetível a enchentes e deslizamentos de terra e chuvas intensas até 2030. A temperatura também deverá subir de 2ºC a 3ºC até o final do século.

A pesquisa “Vulnerabilidade das Megacidades Brasileiras às Mudanças Climáticas”, que indica as previsões meteorológicas desfavoráveis, parte do princípio de que a expansão das cidades vai continuar e, com isso, a ocupação das áreas urbanas da região metropolitana de São Paulo será o dobro da atual em 2030.

Segundo o Inpe e a Unicamp, a expansão da ‘mancha urbana’ acontecerá principalmente na periferia, em loteamentos, construções irregulares e áreas de várzea. Os pesquisadores acreditam que mais de 20% da área de expansão urbana poderá ser afetada até 2030 por acidentes naturais provocados pela chuva.

“Cerca de 11,17% das novas ocupações poderão ser áreas de risco de deslizamento”, segundo o estudo, que mostra ainda que a região metropolitana de São Paulo já vem sofrendo com os efeitos do clima.

A pesquisa destaca a importância de ações preventivas para enfrentar estes impactos, como a criação de um modelo que mostre, com antecedência, onde vão acontecer os alagamentos e que permita um maior controle sobre construções em áreas de risco.

 

 

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.