Ato lembra 50 anos do golpe militar e criação do memorial na sede do DOI-Codi

31/03/2014

Ditadura militar

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Ato realizado nesta segunda-feira (31/3) em São Paulo lembrou os 50 anos do golpe militar e pediu punição aos militares responsáveis por torturas e assassinatos. Convocado por 140 entidades e movimentos sociais, o evento foi realizado no local onde funcionou o Destacamento de Operações de Informações do Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi) do 2º Exército, na rua Tutoia, na capital. Outro pedido dos manifestantes foi a transformação desse edifício, onde hoje funciona o 36º DP, em um memorial em homenagem às vítimas. O local já é tombado e considerado patrimônio histórico.

No palco, o presidente da Comissão Estadual da Verdade, deputado Adriano Diogo, o presidente do Conselho Estadual de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana – Condepe, Ivan Seixas, e a integrante da Comissão da Verdade, Maria Amélia de Almeida Teles, fizeram a leitura de manifesto “Ditadura Nunca Mais – 50 anos do Golpe Militar”, acompanhados em voz alta por todos os presentes. O texto continha o nome das mais de 50 pessoas que morreram no prédio e a cada nome citado, os participantes diziam “presente”.

Pessoas que foram torturadas no local estiveram presentes, assim como familiares de desaparecidos durante a ditadura militar. Foi um momento de grande emoção.

No manifesto é exigido, entre outros pontos, o imediato cumprimento da decisão da Corte Interamericana de Direitos Humanos no Caso Araguaia e reinterpretação da Lei de Anistia; localização e identificação dos corpos dos desaparecidos políticos e esclarecimento das circunstâncias e dos responsáveis por suas mortes; e imediata abertura de todos os arquivos da ditadura, em especial da polícia técnico-científica do Estado de São Paulo.

No último dia 18 de março foi aprovado o Projeto de Decreto Legislativo 6/2012, de autoria do deputado Adriano Diogo, que revogou a permissão de uso do imóvel, dada pelo governo do Estado ao Ministério do Exército. “A transformação dele em memorial deve ser um desejo do povo; somente com a pressão popular conseguiremos sua concretização”, afirmou Adriano Diogo, que foi preso e torturado no local. “Ainda passo muito mal ao vir aqui”, revelou o deputado.

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