Ato solene dá a largada para a marcha das mulheres negras

16/11/2015

Direitos Humanos

Logo no início da abertura do ato solene, a jornalista Juliana Gonçalves, do Centro de Estudos das Relações de Trabalho e mestre de cerimônias do ato, disse que havia preparado um poema para abrir a reunião, mas que recebeu a notícia, “sem um pingo de lirismo”, de que o número de mulheres negras vítimas de homicídio aumentou 54% nos últimos dez anos. “Em vez de um minuto de silêncio, a gente deve fazer muito barulho. Essa é a resposta que a gente vai dar na marcha em Brasília”.

O ato, como bem lembrou Juliana, foi iniciativa da deputada Leci Brandão (PcdoB), que não pôde comparecer por motivos de saúde. Em seu lugar, “com muita honra”, conforme declarou, a deputada Márcia Lia (PT) presidiu a reunião. Compuseram a mesa, além de Márcia, Rosa Anacleto, Kisie de Paula, Sandra Mariano e Dulce Xavier.

Palavra de Leci

Por meio de gravação em vídeo, a deputada Leci Brandão falou da necessidade do empoderamento político da mulher negra e convocou todos os presentes para a Marcha em Brasília. “Sempre estivemos na luta e não vamos parar enquanto não alcançarmos igualdade de direitos”, disse Leci.

Cada uma das componentes da mesa lembrou várias bandeiras que fazem parte da Carta de Princípios, construída coletivamente na Plenária de 3/10, da qual destacam-se alguns itens:

Contra a intolerância religiosa, por respeito e preservação das religiões de matrizes africanas;

Pelo reconhecimento e preservação dos saberes materiais e imateriais da população negra (cultura, tecnolocia, arquitetura, culinária etc.);

Em defesa da democracia, contra o recesso na agenda política do país;

Pela valorização do trabalho e do emprego doméstico (respeito e regulamentação de todas as conquistas previstas na Lei complementar 150/2015);

Em defesa da abertura das delegacias de defesa da mulher 24 horas (PL 643/2015);

Contra a redução da maioridade penal e o aumento do tempo de internação dos jovens;

Contra o genocídio da juventude negra e periférica e a guerra às drogas que vem se efetivando como política de criminalização da juventude e não de enfrentamento efetivo ao narcotráfico. Responsabilização de todas as instituições do Estado e do governador por essa política de matança da juventude negra, pobre e periférica;

Pela democratização dos meios de comunicação e por políticas que garantam o pleno exercício do direito à comunicação e a liberdade de expressão às mulheres negras com ações de combate ao racismo e à intolerância religiosa nos meios.

A carta foi lida durante o ato. Márcia Lia recebeu de presente uma camiseta chamando para a marcha e declarou que estará em Brasília no dia 18/11 e que comparecerá à marcha para apoiar as demandas.

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