Ato solene relembra invasão do CRUSP pela forças armadas em 1968

17/12/2008 15:52:00

CRUSP 40 anos

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As Comissões de Educação e de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa, respectivamente presididas pelos deputados do PT, Simão Pedro e José Cândido, realizam Ato Solene que relembra os 40 anos da invasão do CRUSP (Conjunto Residencial da Universidade de São Paulo) em 17 de dezembro de 1968 pelas forças armadas – ditadura militar – com o objetivo de por fim ao movimento estudantil.

A solenidade acontece na próxima quarta-feira (17 de dezembro), às 20 horas, no auditório Franco Montoro, na Assembléia Legislativa de São Paulo.

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Há 40 anos, no dia 17 de dezembro de 1968, após a instituição do AI-5, o Conjunto Residencial da Universidade de São Paulo era fechado com a invasão das forças armadas. Era o fim de um ciclo no movimento estudantil, que cerceou vidas, castrou lideranças e liquidou o que de mais precioso a USP havia criado nos últimos cinco anos, o Conjunto Residencial da Universidade de São Paulo, o CRUSP. É uma história de lutas, de idealismo, de amor, de integração e de irmandade que envolveu alunos do interior do Estado de São Paulo, de outros Estados da Federação e de países latino-americanos.

Tudo começou com a realização dos Jogos Pan-americanos em 1963,  quando foram construídos os prédios de alojamento para os atletas. Ao terminar as competições, alguns estudantes invadiram os alojamentos e se tornaram os “pioneiros” da ocupação, forçando o antigo ISSU (Hoje  Coseas) reconhecer a formação de um Centro de Vivência de estudantes que faria história na Universidade de São Paulo.

A Cidade Universitária “Armando Sales de Oliveira” era como um sítio na cidade de São Paulo. Isolada, limitava-se com o Butantã, o Rio Pinheiros e o 16º Batalhão da PM no Rio Pequeno. O transporte era precário. O isolamento contribuiu para uma melhor integração entre os residentes.  Tornou-se um verdadeiro exemplar de Centro de Vivência Universitária. A participação acontecia em todos os setores: político, social, cultural e esportivo.

Politicamente, a maioria era alienada,“cdf” , mas participava de outras atividades. Havia um campo de futebol, uma quadra Iluminada (conquistada aos poucos) e uma praia na lagoa, paralela ao Rio Pinheiros (hoje a raia 0límpica), onde se pescava e tomava banho de sol. Apesar da participação política não envolver todos os estudantes, o resultado da atuação política do CRUSP repercutiu no momento político brasileiro, como centro do movimento estudantil. A participação no episódio da Maria Antonia foi marcante, tendo os estudantes do CRUSP como reforço no confronto com o Mackenzie. O CRUSP  se tornou o local de escolha para as reuniões das diferentes organizações como a APML, ALN, POLOP, 4ª INTERNACIONAL, PC do B e outras que tinham influência no movimento estudantil.

O CRUSP foi palco e testemunha do desapego de inúmeros jovens, carregados de grandes valores que arriscaram ou mesmo deram suas vidas em defesa de uma sociedade mais justa. Pagou-se um preço muito alto pela coragem e determinação de lutar pelo que se acreditava. O intenso envolvimento na luta política teve também o seu lado humano trazendo uma convivência fraterna e solidária que foi despertada pelo engajamento político, ainda que muitas vezes marcada por intensa disputa. A construção da noção de coletivo, a importância da luta por idéias e a necessidade da construção coletiva de propostas, foram o germe do processo posterior de democratização e certamente faz parte da “herança” de todos os cruspianos.

Episódios como o Congresso de Ibiúna, a retirada do fogão que mantinha a greve do restaurante (que redundou em pancadaria por parte da PM), o confronto na Maria Antonia e outros mais, marcaram a vida de muitos cruspianos. Paralelamente, desenvolviam-se atividades culturais, como exposições, palestras e teatro. No campo social, registrava-se  o Baile de Encerramento, que ocorria após a realização da Volta da Cidade Universitária. Em termos de atividades esportivas, havia o Encontro das Casas de Estudante (embrião da Olimpíada da USP), a Volta da Cidade Universitária (que virou tradição na USP), os campeonatos entre os prédios e os jogos amistosos pelo interior do Estado. Em decorrência da organização do esporte no CRUSP, resultou a construção do CEPEUSP e a integração da Escola de Educação Física na USP.

O CRUSP ajudou a escrever a história contemporânea do Brasil e, passados 40 anos do seu fechamento, há necessidade de se recuperar a sua importância, não só pelo que foi mas, também, pela atuação dos cruspianos em lugar de destaque na sociedade nos dias de hoje.

 

 

 

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