Audiência Pública na Alesp debate o fim da aposentadoria com especialistas no tema

22/03/2017

APOSENTADORIA

Crédito: Katia Passos

Contra Reforma da Previdência – Warley Martins, da COBAP, convoca povo para ir para as ruas

Na manhã desta quarta (22), movimentos sociais, de moradia, lideranças populares, sindicais, aposentados, juventude e muitos outros trabalhadores, lotaram o auditório Paulo Kobayashi para acompanhar a Audiência Pública Contra o Fim da Previdência, na Assembleia Legislativa de SP. O evento, promovido pela Liderança do PT, em parceria com as Frentes Brasil Popular, Povo Sem Medo e centrais sindicais, continua no período da tarde e termina às 18h.

A economista e pesquisadora do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sociais (DIEESE), Patrícia Pelatieri, destacou que atualmente a contribuição do regime geral permite as mulheres se aposentarem aos 60 anos e aos homens aos 65 anos, ou, por tempo de contribuição, com 30 anos para as mulheres e 35 para os homens. Já entre os trabalhadores rurais, as mulheres alcançam a aposentadoria aos 55 anos e os homens aos 60, a partir da comprovação de 15 anos de contribuição. Patrícia mostrou que estes direitos estão ameaçados pela proposta do governo Temer, que levará os trabalhadores a contribuir por 49 anos para se aposentar.

O professor Eduardo Fagnani, do Departamento de Economia da Unicamp, apontou uma série de mentiras na proposta do governo federal e mencionou um estudo de sua autoria: Previdência, Reformar para Excluir? Fagnani lembrou que 40% dos trabalhadores atuam na informalidade, o que deixará a Previdência ainda mais precária.

O professor criticou duramente a tática do governo em comparar o modelo de previdência brasileiro com o de outros países, em especial com os europeus. “Não posso imaginar que um país como o Brasil, que teve 350 anos de escravidão e desigual como é, pode ser comparado com países europeus. Menos de 1% dos municípios brasileiros têm IDH de países da Europa”, afirmou.

Warley Martins, da Confederação Brasileira de Aposentados e Pensionistas (COBAP), comemorou a abertura da CPI da Previdência, aprovada há poucos dias no Senado e que vai, segundo ele, abrir a “caixa preta” dos grandes devedores da Previdência. Martins falou da importância da mobilização popular para barrar a aprovação da reforma. “Não adianta a gente criticar e não fazer nada. Precisamos levar 3 milhões de pessoas a Brasília contra essa reforma. Ou vamos pras ruas ou seremos massacrados”, conclamou.

Douglas Martins Izzo, da CUT São Paulo, ressaltou a ilegitimidade de Temer para propor reformas e criticou outros projetos em tramitação no Congresso, como o que terceiriza sem exceção, todas as atividades. “Ele jamais seria eleito nas urnas com propostas assim.”, afirmou.

Durante a tarde, falam na audiência o ex-ministro da Previdência Social, Carlos Eduardo Gabas, o deputado federal e membro da Comissão da Reforma, José Mentor, o jornalista Luís Nassif e o Presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, Rafael Marques.

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