Bancada defende Seminário Paz nas Escolas

04/12/2008 18:50:00

Crise no ensino

 

A Comissão de Educação receberá na próxima quarta-feira, 10/12, durante o Seminário Paz nas Escolas, representantes das entidades do Magistério, dos pais de alunos, da Secretaria Estadual da Educação e também especialistas. Em pauta, a violência escolar e projetos para solucionar o problema.

A realização do seminário foi proposta em requerimento apresentado pelo presidente da comissão, deputado Simão Pedro. “Pesquisas da Apeoesp (professores) e da Udemo (diretores) revelam que episódios de violência e conflito como o recém-ocorrido na EE Amadeu Amaral, já fazem parte da rotina das escolas estaduais”, denunciou o deputado Simão Pedro, logo no início da audiência realizada no dia 03 de dezembro com a secretária da Educação, Maria Helena Guimarães de Castro.

O deputado referia-se ao confronto entre alunos da escola localizada no bairro do Belém, na zona leste da capital, ocorrido no dia 12 de novembro. Segundo a secretária, 23 professores do quadro de 63 efetivos da escola estavam em afastamento no período do conflito. Como solução, ela anunciou que o Estado terá um plano antiviolência nas escolas, que deverá ser apresentado nas próximas semanas ao governador José Serra.

“A secretária disse que vai consultar especialistas para o plano sobre a violência, mas não falou em convidar a comunidade escolar: pais, alunos e professores que conhecem, de fato, o dia-a-dia da escola pública”, disse o presidente do Sinp, o Conselho de Política e Remuneração de Pessoal do Estado de São Paulo, Carlos Ramiro de Castro.

Stress e violência

Entre os ouvintes da secretária, na platéia do auditório Franco Montoro, o ex-professor Marcelo Eduardo Donati, também fez um rápido diagnóstico da crise nas escolas estaduais. Professor de inglês concursado durante quatro anos em Fartura, cidade localizada a 400 quilômetros da capital, Marcelo explicou: “a secretária disse que havia 23 professores afastados da escola onde ocorreu a rebelião. É que o stress e a pressão são enormes e fica muito difícil trabalhar. Quando era professor eu faltava porque não agüentava. Agora, ganho mais, trabalho menos e não falto ao trabalho.”

O ex-professor tornou-se encarregado em informática e só lamenta ter afastado-se de sua vocação pelo Magistério. “Tive que mudar por causa da falta de recursos, mas não dá: o professor tem hoje que ocupar funções que não são suas”.

Também integrante da Comissão da Educação, a deputada Maria Lúcia Prandi, apontou outro problema relacionado à crise na educação pública. “Sou contra a cultura de repetência, mas é um crime a existência de analfabetos escolarizados”, referindo-se à progressão continuada, que aprova os alunos em ciclos e tem sido apontada por especialistas do setor não apenas como a responsável pela formação deficiente dos estudantes, mas também como um dos fatores responsáveis pelo agravamento da indisciplina.

O analfabetismo funcional já é um dado visível nas pesquisas e rankings educacionais. “Com o orçamento disponível e os instrumentos de financiamento que possui, o Estado de São Paulo deveria ser o primeiro colocado nas pesquisas de aferição de qualidade da escola pública”, disse o líder da Bancada petista, deputado Roberto Felício.

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