Bancada do PT denuncia blindagem a governo Alckmin na CPI da Máfia da Merenda

28/06/2016

Não foi a voto

De maneira nada democrática, presidente da CPI da Máfia da Merenda, deputado Marcos Zerbini (PSDB), apresentou, nesta terça-feira (28/6), aos membros da Comissão o relator escolhido por ele e o roteiro de trabalho da CPI, que sequer foi a voto.

Logo no início da reunião, Zerbini esclareceu que, apesar de mais de 40 requerimentos protocolados, constavam da pauta apenas os sete que solicitavam documentos e informações. “Depois partiremos para as oitivas”, definiu Zerbini.

Vale lembrar que o roteiro de trabalho deve ser apresentado pelo relator, no caso o deputado Estevam Galvão (DEM), mais um integrante da base governista que terá a missão de blindar Geraldo Alckmin. Além disso, esse roteiro deve ser votado.

Questionado pelo único representante da oposição na CPI, deputado Alencar Santana Braga, Zerbini afirmou que se tratava apenas de uma sugestão, baseada em conversa prévia que havia tido com Galvão, e que o relator apresentaria sim um roteiro que será votado. Mas Zerbini adiantou que não há prazo para isso.

Ele também disse que, devido a essa “espera” pelos documentos a CPI poderia parar durante o recesso e que, caso algum deputado quisesse solicitar o funcionamento no período deveria fazê-lo por escrito, para que fosse protocolado e votado.

Diversos deputados da oposição falaram que esse processo sugerido por Zerbini iria postergar ainda mais a investigação de um caso que teve início em janeiro desse ano.

O deputado João Paulo Rillo chamou a manobra de “etapismo”. “Nosso papel aqui não é fazer revisão do que a Polícia ou Ministério Público estão fazendo. Isso aqui é poder constituído, com capacidade técnica para ajudar nas investigações. Há provas de assessor da presidência dessa Casa que recebeu R$ 50 mil de propina em sua conta bancária. Quer maior materialidade do que essa?”, questionou Rillo, defendendo a imediata convocação dos envolvidos.

Zerbini disse que “matéria de jornal não é prova” e foi vaiado pela grande quantidade de estudantes e representantes de movimentos sociais que lotavam o auditório. Como de costume, Zerbini ameaçou esvaziar o plenário caso a plateia não se “comportasse”.

Para o deputado Enio Tatto, a CPI tem que fazer o seu papel e não ir a reboque da Polícia Federal. E lembrou: “Na CPI da CDHU não chamaram nem o presidente da estatal, tamanha a blindagem ao governo. Três citados na Máfia da Merenda precisam vir imediatamente, Moita (ex-chefe de gabinete da Casa Civil), Padula (ex-chefe de gabinete da secretaria de Educação) e o presidente da Coaf.”

A Bancada do PT também questionou a falta de resposta do presidente da Casa, deputado Fernando Capez, quanto ao requerimento que reivindica uma segunda vaga na CPI para a oposição. “Se essa resposta não vier, a Bancada do PT entrará na Justiça”, alertou o deputado Luiz Turco.

O líder da Bancada do PT, deputado José Zico Prado, também criticou a blindagem a Alckmin, que indicou governistas para a presidência, vice e relatoria. “O governo quer ter o controle total dessa CPI”, afirmou Zico.

Prefeituras

Parlamentares petistas questionaram a inclusão de empresas, cooperativas e prefeituras no objeto da CPI. Alencar afirmou que não compete a essa Comissão esse tipo de investigação. Para ele, o objeto deveria se restringir ao governo estadual. “Então podemos investigar os deputados federais? Duarte Nogueira, Baleia Rossi, Arnaldo Jardim. Todos citados na Máfia da Merenda e o senhor não colocou no roteiro de oitivas.”, questionou Alencar.

O deputado Luiz Fernando afirmou que o prefeito Luiz Marinho, de São Bernardo, já se colocou à disposição para colaborar. “Nosso prefeitos virão, porque não têm nada a temer. A prefeitura de São Bernardo pagou R$ 0,73 por um suco de laranja que o governo estadual pagou R$ 1,40.”

E o deputado Alencar completou: “Gostaria que a disposição do governador Geraldo Alckmin fosse a mesma do prefeito Marinho”. Ele afirmou que a Bancada do PT já assinou requerimento de convocação de Alckmin.

Em seguida os deputados aprovaram todos os sete requerimentos de informação que constavam da pauta (clique aqui para acessar os requerimentos).

Também participaram da reunião os deputados Professor Auriel, Ana do Carmo, Beth Sahão, Marcia Lia e Marcos Martins.

Fernanda Fiot

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