Bancoop avança nas negociações com associados

24/08/2010 17:26:00

CPI

 

A CPI da Bancoop, desta terça-feira (24/8), realizou duas oitivas, que tiveram início com indagações à Manolo Castanho Blanco, atual gerente de relacionamento da cooperativa. Ele é sócio-fundador da cooperativa e, em 1999, exerceu a função de Conselheiro fiscal. 

Inquirido pelo deputado Bruno Covas sobre sua filiação partidária, Manolo afirmou que é filiado ao Partido dos Trabalhadores desde 1982 e que faz contribuição partidária como prevê o estatuto da agremiação partidária.  

Diante da insistência do deputado da base aliada sobre a atuação partidária, o advogado de depoente Dr. Pedro Dallari, manifestou-se no sentido de orientar seu cliente, mas foi interrompido pelos governistas, seguido de protestos do deputado Vanderlei Siraque, que defendeu com veemência o direito de defesa do depoente.

O fluxo econômico e financeiro da cooperativa, também fez parte dos temas abordados no depoimento de Manolo, que explicou que a saúde financeira da Bancoop, está calcada no fluxo de caixa. “As obras são tocadas de acordo com os recursos obtidos dos associados. Os custos das obras são obtidos com base numa estimativa, mas ao longo da execução podem sofrer algumas alterações e ter os valores acrescidos. A inadimplência também impacta sobre o fluxo de recursos”, explicou o gerente.

Por diversas vezes, parlamentares da base de sustentação insistiram na indagação sobre como as informações dos problemas financeiros da cooperativa eram passadas aos cooperados. Manolo disse que foram emitidas notas explicativas, boletins e promovidas reuniões para prestar estes esclarecimentos. 

Outro foco de questionamento foram  sobre doações para campanha eleitoral efetuadas pelo gerente, que foi taxativo na afirmação de que havia contribuído como pessoa física.

Um dos momentos de tensão no depoimento foi precedido pela insistência no questionamento sobre o acompanhamento de reclamações de associados e na quantificação e classificação de estágios em que estão os empreendimentos habitacionais realizado pela Bancoop. 

O presidente da Comissão Parlamentar adotou a tática de interrogatório e bombardeava o depoente com a mesma questão, mas com enfoque diferente. O líder da Bancada petista, deputado Antonio Mentor, protestou e cobrou do presidente que ouvisse a resposta do depoente e desse tempo para ele responder as questões. “O senhor não está respeitando o depoente e esta técnica interrogatória é recurso que não cabe mais nos dias atuais, pois está tática eram usadas no Brasil de outros tempos. Há clara intenção de induzir a resposta”, destacou Mentor.

A seguir Manolo explicou que as reclamações recebidas por e-mail e telefone, são respondidas em 48 horas e as efetuadas pessoalmente são atendidas de acordo com o agendamento.  

“Quanto as reclamações efetuadas por meio telefônico ou e-mail, são respondidas dentro de um período de 48 horas. E pessoalmente é feito por meio de agendamento”, respondeu Manolo. Quanto as empresas que prestaram serviços à Bancoop, o gerente de relacionamento disse que não tinha conhecimento. E, por fim, respondeu que sobre a situação dos empreendimentos, indicava que esta questão fosse feita à diretoria da cooperativa.  

Manolo explicou aos deputados que enquanto gerente de relacionamento tem buscado construir uma solução para o problema dos associados e para cooperativa que tem como entregar os imóveis aos associados. “Eu acredito que a proposta que está sendo apresentada aos associados é uma boa oportunidade e uma solução para a questão dos empreendimentos que estavam com as obras inacabadas e retomar as obras paralisadas e entregarmos os imóveis aos cooperados”, defendeu Manolo.

 

A manifestação do gerente recebeu elogios dos deputados da base governista e dos parlamentares petistas. “ Eu concordo com o sr. Manolo e fico feliz que esteja sendo construída uma saída e seja resolvida a questão dos associados, pois este é o papel da CPI de ajudar encontrar uma solução, para que os cooperados tenham as suas casas”, disse o deputado Vanderlei Siraque.

 

Já o líder da Bancada petista, deputado Antonio Mentor ressaltou que, além de resolver a questão da entrega dos imóveis, a CPI também está efetuando as investigações e lembrou que o Ministério Público também está debruçado sobre o caso, mas que até agora não foi encontrado nenhum indício de desvio de recursos para beneficiar o Partido dos Trabalhadores. “Há cinco anos, o Ministério tem feito investigações e até agora não apresentou nenhuma prova de que houve desvios e ou repasses de dinheiro para atividade partidária. Sei que há também na CPI atividade política partidária, mas é preciso deixar claro que se encontrarmos irregularidades devem ser denunciadas e apuradas, mas não pode haver acusações levianas.”

Na mesma linha, Vicente Cândido colocou sua posição: “O PT não faria algo assim mesquinho de se apropriar de dinheiro de cooperado, como alguns querem nos acusar”, concluiu.  

Cooperativa está colocando as contas em dia

O segundo depoimento na CPI da Bancoop foi o da diretora financeira, Ana Maria Érnica. Ela explicou como a nova diretoria da cooperativa está atuando para pôr as contas em ordem, superar a difícil crise financeira e acertar a situação com aqueles cooperados que ainda não tiveram seus empreendimentos concluídos.

A frente da diretoria desde 2005, Ana explicou que, nos últimos meses há um esforço para um acordo global. “Cooperados, diretoria e advogados estudam a solução dos empreendimentos que ainda não foram concluídos. Estamos fazendo acordo”, disse a diretora.

Para o líder da Bancada petista, Antonio Mentor, “está muito claro que houve uma mudança da gestão da Bancoop. Os contratos antigos como empresas das quais poderia se ter algum tipo de suspeita – Germany, Mirante e Mizuo – foram encerrados”.

“Há uma tentativa de solução entre a cooperativa e seus associados e, neste sentido, a CPI presta um serviço importante para esclarecer os fatos e, mais importante ainda, para ajudar a encontrar uma solução às pendências com os cooperados”, afirmou Mentor.

A diretora expôs os números atuais do patrimônio, ativo e passivo, a média mensal de faturamento e as despesas correntes. Ela também salientou que a conta bancária da Bancoop foi novamente desmembrada por empreendimento. Desta forma, pode-se saber com exatidão o fluxo de caixa de cada obra. Atualmente, são nove os empreendimentos ainda não concluídos.

O deputado Vanderlei Siraque, membro efetivo do PT na CPI, ressaltou que 80% dos empreendimentos da Bancoop foram concluídos e, para aqueles que ainda não foram, há a disposição da cooperativa em formular acordo. Segundo Siraque, “os depoimentos desta terça-feira foram bastante esclarecedores, dando uma visão completa da atual gestão da Bancoop”.

 

 

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