Cada vez mais cedo jovens são seduzidos pelo crack

13/12/2012

Nos municípios de SP

Coordenado pelo deputado Donisete Braga, a Frente Parlamentar de Enfrentamento ao Crack e Outras Drogas da Assembleia Legislativa apresentou, em 13 de dezembro último, o segundo mapeamento da presença da droga no estado de São Paulo.

Este é o segundo ano consecutivo a Frente realizou levantamento sobre a situação do crack e outras drogas nos municípios paulistas e segundo um dos pesquisadores Shócrates Patrício da Guarda, um dos dados que mais chama a atenção é que cada vez mais cedo jovens estão sendo seduzidos pelas drogas. De acordo com a pesquisa 6% dos atendimentos envolvem menores de idade com até 13 anos. Outro dado preocupante significante é a incidência de mulheres grávidas dependentes do crack.

Para Donisete Braga este levantamento é mais uma contribuição da frente para o aprofundamento do debate e a construção de estratégias para enfrentar este grave problema de saúde pública que atinge toda a sociedade, indistintamente.

Os dados apresentados são referentes ao ano de 2011. No decorrer de 2012, gestores públicos de 299 municípios, onde se concentram 74% da população do estado (32 milhões de pessoas), responderam, por meio eletrônico, um questionário com treze perguntas enviado pela Frente Parlamentar no início do ano. No levantamento anterior a abrangência populacional foi de 76%, com 325 cidades participantes.

Assim como no primeiro levantamento apresentado em setembro de 2011, o resultado deste novo trabalho, agora mais detalhado, é extremamente preocupante.
A análise dos dados aponta que o crack continua na liderança entre as drogas ilícitas. É a droga mais presente nos atendimentos do sistema público de saúde de 47% dos municípios participantes. No levantamento anterior, 31% dos participantes citaram o crack como droga mais presente nos atendimentos.

A exemplo do levantamento anterior, municípios com população entre 50 mil e 100 mil habitantes são os que mais sofrem com o problema.
No levantamento atual a Frente perguntou sobre o número de usuários de crack atendidos no sistema público de saúde. Resposta: no total, os municípios atenderam no ano passado 50.511 pessoas envolvidas com crack, o que significa 1,63 atendimentos por grupo de mil pessoas.

Em cidades de 50 a 100 mil habitantes, chega-se a 3,39 atendimentos por grupo de mil pessoas.
Do total de atendimentos, 5.676 eram usuários com até 18 anos de idade, o que significa que eles representam 18% do total de atendimento no estado.
Verifica-se que em cidades com população entre 5 mil e 50 mil habitantes, o percentual de jovens usuários de crack até 18 anos é maior, sendo 25% e 22% respectivamente.
Ainda no que se refere à faixa etária dos usuários de crack que procuram o sistema público para tratamento, nota-se que, em média, 6% dos atendimentos envolvem menores com até 13 anos de idade. Esse percentual sobe para 11% em cidades de 5 mil a 100 mil habitantes.

No levantamento anterior 3% das citações referiam-se a menores entre 9 e 15 anos de idade. No entanto, a questão referia-se a dependentes químicos de um modo geral.
Já os atendimentos a jovens com até 20 anos de idade representam 27% do total. A pesquisa revela que a maioria dos usuários de crack encontra-se na faixa de 21 a 30 anos de idade (40%).No levantamento anterior a faixa etária principal dos dependentes químicos (todas as drogas) era de 16 e 35 anos de idade.

CRACK E ÁLCOOL

Em 9% das cidades do estado de São Paulo o sistema público de saúde atendeu em 2011 mais pessoas envolvidas com o crack do que com álcool.
No total são 58 cidades, sendo que 75% delas têm até 100 mil habitantes. O levantamento anterior já havia detectado esta situação, porém não havia conseguido números como agora.
Preocupa ainda o fato de 54% dos municípios participantes terem afirmado que não implantaram ações de combate às drogas em 2011. A maioria deles com população até 5 mil habitantes.
Por outro lado, quando questionados sobre implantação de equipamentos públicos específicos para o atendimento a dependência química (como CAPS AD, por exemplo) 64% alegaram que não implantaram equipamentos em 2011.

No que tange aos conselhos municipais antidrogas, os dados encaminhados indicam que eles estão ativos em 24% dos municípios participantes. Este percentual é ainda mais baixo nos municípios com menor densidade populacional, tendo como exemplo os municípios com população até 5 mil habitantes, onde apenas 6% (04 municípios de 68 participantes), indicaram possuir conselho municipal antidrogas ativo no ano de 2011.

INVESTIMENTO EM COMUNIDADES TERAPÊUTICAS

Dos 299 municípios que responderam o questionário, 39% investiram recursos financeiros através de convênios com as comunidades terapêuticas. No levantamento anterior eles eram 37%. No total, 15.095 usuários de drogas receberam tratamento em entidades.

A soma de valores investidos por estes municípios em convênios que atendem aos dependentes químicos ultrapassou R$ 14 milhões em 2011, segundo informaram os gestores.
As dez cidades que mais investiram foram São Carlos, Jundiaí, Marília, Paulínia, Barretos, São Paulo, Bauru, Vinhedo, Araçatuba e Campinas. Em relação ao levantamento anterior, nota-se que os municípios passaram a utilizar mais os serviços das entidades no atendimento aos dependentes químicos.

REINCIDÊNCIA NO SISTEMA PÚBLICO

A reincidência no tratamento dos dependentes químicos realizado pelo sistema público continua alta, a exemplo do levantamento anterior. Das cidades participantes, 52% afirmaram que a reincidência é superior a 50%.

Já os municípios com população entre 50 mil e 100 mil habitantes apresentam uma reincidência ainda maior, alguns chegando a 90%. No que se refere ao álcool, a situação da reincidência no tratamento é praticamente a mesma.

Este levantamento é uma contribuição dos deputados da Frente Parlamentar de Enfrentamento ao Crack e Outras Drogas para o aprofundamento do debate e a construção de estratégias para enfrentar este grave problema de saúde pública que atinge toda a sociedade, indistintamente.

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