Centenas de pessoas denunciam descaso de Alckmin na crise da água em SP

05/06/2014

Ato

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Centenas de pessoas participaram de ato promovido pelos movimentos sociais e sindicais nesta quinta-feira (5/6), Dia Mundial do Meio Ambiente, para alertar sobre a crise de abastecimento de água em todo Estado e denunciar a irresponsabilidade do governo tucano e esclarecer a população sobre as consequências deste descaso. O ato aconteceu próximo à Estação Pinheiros do Metrô, na capital paulista.

O deputado Marcos Martins, que é membro da Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável na Assembleia Legislativa, apoiou e acompanhou de perto a manifestação. Para ele, o governo do Estado foi omisso, não aplicou devidamente os recursos e não reduziu as perdas de água decorrentes de vazamentos. “O governador Alckmin não pode colocar a culpa na falta de chuva, e muito menos punir a população com multas ilegais. Precisamos fazer um debate sério sobre a questão da água em São Paulo. O Sistema Cantareira suportou por 40 anos todo tipo de agressão, da exploração irracional à leniência com ocupações irregulares, e agora a ameaça entrar em colapso”, alertou o parlamentar.

A realização da manifestação partiu do seminário “A Crise da Água em São Paulo”, realizado na Assembleia Legislativa no dia 13 de maio e que contou com a participação de diversas entidades sindicais, sociais e da Bancada dos deputados do PT. Desse mesmo seminário partiu o requerimento para a abertura de uma CPI da Sabesp, de autoria de Marcos Martins.

A principal função da CPI será a de investigar as perdas de água da companhia, já que ela tem um contrato de R$ 400 milhões com a empresa japonesa de desenvolvimento – Jica –, executado desde 2009, mas a situação continua a mesma: perde-se 31,2% da água tratada para abastecer a região metropolitana de São Paulo. O índice representa cerca de 950 bilhões de litros – quantidade equivalente a quase todo o “volume útil” do Sistema Cantareira, que tem capacidade para 981 bilhões de litros.

Caos anunciado

Um dos pontos convergentes de crítica é à falácia da tão propagada ‘eficiência’ e o ‘choque de gestão’ do PSDB, desmontada pela péssima administração também em outras áreas como o transporte público, segurança, educação e saúde.

“Todo esse sistema de abastecimento sempre trabalhou no limite e qualquer evento não previsto, como a falta de chuva e as altas temperaturas do último verão, poderiam causar o caos que está acontecendo agora”, afirmou Edson Aparecido da Silva, assessor da Federação Nacional dos Urbanitários (FNU) e coordenador da Frente Nacional pelo Saneamento Ambiental.

Ele lembrou que o governo paulista é alertado há 10 anos para os riscos desse problema e explicou que, agora, não basta investir em obras, pois são necessárias também ações estruturantes para redução de perdas, que chegam a 35% na distribuição de água segundo a Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado de São Paulo (Arsesp).

Além da capital e municípios da área metropolitana de São Paulo, a falta de água atinge a região de Campinas, afetando diretamente cerca de 25 milhões de pessoas, ou 62,5% do total de 40 milhões de habitantes do estado mais rico do Brasil.

Representantes dos movimentos pretendiam entregar um documento cobrando medidas do secretário estadual de Recursos Hídricos, Mauro Arce, mas o governo estadual recusou e se limitou a agendar uma reunião para o próximo dia 2 de julho.

O ato público foi realizado numa parceria entre a CUT e o Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), Levante Popular da Juventude, União Nacional dos Estudantes (UNE), Marcha Mundial de Mulheres e Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), entre outras entidades. A batucada Carlos Marighella, conduzida por jovens do Levante, marcou a percussão e as ruas foram tomadas pelo vermelho das bandeiras e o verde e amarelo nas camisetas da CUT São Paulo em alusão à Copa. (sc) *com informações da Ass. Imprensa – dep. Marcos Martins e da CUT-SP

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