Cheques, carros e palavras voadoras no depoimento de Merivaldo

23/09/2016

Máfia da Merenda

Crédito: Alesp

Ex-assessor de Capez, Merivaldo deu depoimento repleto de contradições à CPI da Merenda

Deputados da Bancada petista repudiam mentiras proferidas por depoentes à CPI da Merenda e pedem acareações. Enganadores e contraditórios serão reconvocados.

Mentir em Comissão Parlamentar de Inquérito é crime. Quem cometê-lo está sujeito à detenção de 1 a 3 anos entre outras medidas, dependendo do caso, conforme previsto no Código Penal. A lembrança é válida, considerando que ao menos três depoentes claramente mentiram na CPI da Merenda, gerando contradições que atrapalham os trabalhos dos membros da comissão.
Na manhã de quarta-feira, 21, José Merivaldo forneceu a CPI um depoimento repleto de contradições (veja em Clique aqui). O mesmo se deu no depoimento de Jéter Rodrigues, também ex-assessor de Fernando Capez, todos investigados pela Operação Alba Branca.

O depoente depositou em sua própria conta cheque de R$50 mil entregue por Jéter Rodrigues, para sanar uma dívida de R$18 mil. Quando o cheque, de origem da COAF (Cooperativa Orgânica Agrícola Familiar), voltou por falta de fundos, Merivaldo disse que então “cobrou fortemente” os fundos a Jéter e ao lobista Marcel Ferreira, mencionado por vários funcionários da COAF como intermediário na negociação da propina nos contratos do Estado com a Cooperativa.

Ao ser questionado sobre o cheque e sobre o empréstimo que fez a Jéter a fundos perdidos, Merivaldo falou dos laços de amizade que uniu os dois quando trabalharam juntos na Assembleia, justificando o empréstimo, mas acrescentando também que cobrou Jéter nesse tempo, porém ele não o pagava.

Deputados não aceitam depoimentos cheios de contradições e inverdades

Contrariada com a desfaçatez do depoente, a deputada Márcia Lia questionou-o: “Eu acho muito estranho… porque alguém que pega um cheque de R$50 mil, uma pessoa esclarecida com seus atributos profissionais, muito estranho alguém que deve R$ 18 mil e dá 50. O senhor não suspeitou?”, indignou-se, colocando ainda que aquele depoimento era uma “piada”, uma “farsa”.
A deputada lembrou ainda que além de “cheque voador”, que ninguém viu, ninguém deu, nem recebeu, há na história também um “carro voador”, veículo que teria sido utilizado na campanha de Capez em 2014, segundo Operação Alba Branca. Sobre cheque e sobre carro, Jéter e Merivaldo foram evasivos em seus depoimentos.

José Zico Prado, líder da Bancada petista, defendeu que sejam feitas acareações entre os depoentes quando necessário, opinião amplamente apoiada pelos outros membros da Bancada.“Se a gente não tiver uma sequência lógica daquilo que estamos fazendo aqui, vai chegar um momento em que ficará desmoralizante para nós. A sugestão é que em cada vez que encontrarmos mentiras entre os dois depoentes, o próximo tem que ser posto para acarear”, reforçou o deputado.

Já o deputado Enio Tatto, pediu menos complacência dos membros da CPI com os depoentes que deslavadamente apresentam mentiras em seus depoimentos: “Em uma das últimas perguntas que fiz para o Jéter, ele mentiu. Deveria ter sido preso. Perguntei se ele tinha um negócio com o Merivaldo, se tinha relação de dinheiro. A gente percebe como é que cada um que vem aqui depor parece ter feito um curso para combinar, entre eles , o que vêm falar na CPI”.

O deputado também defendeu a continuidade da oitiva com membros da COAF, mesmo que a CPI da Merenda amplie seus trabalhos, fiscalizando contratos de outras cooperativas fornecedoras de merenda com o Governo do Estado. O deputado Alencar Santana Braga, representante do PT na CPI da Merenda, concordou com o colega, reforçando a importância de reconvocar alguns depoentes.

Desta forma definiu-se que serão convocados a prestar depoimentos os suspeitos de participarem da máfia da merenda que têm relação com a COAF; funcionários do Tribunal de Conta do Estado, para prestação de informações mais detalhadas a respeito do fornecimento de merenda a escolas estaduais; e membros da Secretaria de Educação ligados ao setor de licitação.

Marina Moura

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