Choque de gestão: PT quer investigação séria, sobre o desabamento do Metrô

08/02/2007 18:50:00

Governistas boicotam ação séria sobre investigação e relatórios apontam falhas e gambiarras na construção da Linha 4 do Metrô.

A maior parte da Comissão de Representação criada para investigar a abertura da cratera
das obras do Metrô (Linha 4 –Amarela) na Assembléia Legislativa de São Paulo é formada por deputados tucanos. A Comissão governista, que ouviu três técnicos da Companhia na tarde desta quarta-feira (07-02), evitou comprometer a gestão do ex-governador Geraldo Alckmin, responsável pelo contrato. A bancada petistas, que se retirou da Comissão, apontou obstrução da base governista nos trabalhos de investigação, evitou convocações . O PT vai insistir na instalação de uma CPI da cratera para que o caso, tão sério, não seja escondido de toda a população paulista.

A liderança do PT, através do deputado Enio Tatto vai protocolar junto à presidência da Assembléia uma “Questão de Ordem” questionando a falta de embasamento regimental dos procedimentos da Comissão na investigação do caso.
No início da sessão o deputado Adriano Diogo, por sua vez leu trechos de uma carta do geólogo Kenzo Hori, ex-chefe do Departmento de Projeto Civil do Metrô. “O NATM (New Austrian Tunnelling Method) não era o método mais indicado para a execução dos túneis nesse local, tanto que, na previsão inicial do projeto de concorrência, os túneis eram para ser executados pelo Shield EPB de última geração”, dizia o documento.

Calar a Oposição
Na segunda-feira dia 05/02, a Bancada anunciou numa coletiva á imprensa sua retirada da Comissão de Representação e denunciou a falta de vontade política de investigar as causas do desabamento.
Na coletiva a Bancada afirmou que continuaria a participara das investigações mesmo não estando mais na Comissão de Representação, e os integrantes petistas da Comissões Permanentes( Serviços e Obras e Comunicações e Transportes) fariam o acompanhamento dos depoimentos dos convocados pela Assembléia. No dia seguinte os deputados petistas estiveram na área das obras do Metrô Butantã /Morumbi e coletou informações, dados e registrou fotograficamente, os abalos nos imóveis provocados pelas detonações.
Durante a sessão da Comissão de Representação, o presidente da Comissão de Transporte impediu a manifestação do líder da Bancada deputado Enio Tatto, que condenou a atitude arbitrária do governista e em protestou toda a Bancada se retirou.

Depoimentos

O engenheiro Mourão Filho, fiscal da obra, o primeiro a dar depoimento à Comissão governista afirmou que a fiscalização das obras da linha 4 era de responsabilidade do Consórcio Via Amarela -formado pelas empresas CBPO Engenharia (subsidiária da Odebrecht), Queiroz Galvão, OAS, Camargo Corrêa e Andrade Gutierrez. Segundo Mourão o Metrô, fazia apenas o “olhômetro” da obra.

O engenheiro, coordenador da equipe de fiscalização do Metrô, afirmou que a última vistoria do local onde ocorreu o desmoronamento na obra da linha 4 foi feita no dia do acidente por um engenheiro recém-formado, as 11h do dia 12 de janeiro e não detectou problemas. Ele disse que o profissional é recém-formado e ainda está em fase de instrução. “Ele está pensando em desistir da profissão.” O desabamento ocorreu por volta das 15h e deixou sete mortos.

Pressão tucana

Os deputados tucanos tentaram a todo momento amenizar a gravidade dos suavizar o fato. O deputado Orlando Morando (PSDB) pressionou o engenheiro Mourão a responder se ele gostaria de se aposentar na Companhia estatal (Metrô). O superior hierárquico do engenheiro, José Roberto Leite Ribeiro, tentou minimizar as declarações do subordinado. Disse que falar em “olhômetro” não é adequado e que a equipe é formada por engenheiros experientes. A comissão também ouviu o engenheiro Marco Antonio Buoncompagno, ex-gerente de construção da linha 4 do Metrô. Nos depoimentos, todos dizem que estava tudo bem com a obra. Para o PT fica a pergunta que não quer calar: então, por que caiu?

Novas denuncias

Segundo a o jornal “Folha de S. Paulo” desta quinta-feira (09-02), fiscais citam 46 problemas na linha 4. De acordo com o jornal, o relatório preparado antes do acidente reclama de uso de material inadequado em outras partes da obra do Metrô. Um dos relatos mais impressionantes trata da futura estação Faria Lima; fiscais citam “gambiarras” no sistema de encanamento.

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