Comandante da PM vai prestar esclarecimentos à Comissão de Direitos Humanos

18/06/2013

Na repressão a protestos

A Comissão de Direitos Humanos aprovou na tarde desta terça-feira (18/6) requerimento de autoria da deputada Beth Sahão que convida o comandante-geral da Polícia Militar (PM) do Estado de São Paulo, Benedito Roberto Meira, a prestar esclarecimentos perante a Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa.

O objetivo da parlamentar, que integra a comissão, é apurar eventuais abusos cometidos pela corporação na noite da última quinta-feira, durante manifestação pela redução das tarifas de transporte público, que era realizada na rua Consolação, em São Paulo.

A deputada também entregou ao presidente da Comissão, deputado Adriano Diogo, um vídeo com cenas que comprovam a ação truculenta da PM. Beth sugeriu que o vídeo seja exibido na presença do comandante.

“Vidas humanas foram colocadas em risco nessa operação, tudo porque quem deveria defender os cidadãos preferiu apelar para o uso desmedido da força. No regime republicano, as coisas não funcionam na base da violência, mas sim do diálogo e da negociação”, afirma Beth.

Na avaliação da parlamentar, os eventuais abusos cometidos por manifestantes, nos últimos dias, não justificam a reação desmedida da PM. “Se alguém se excedeu enquanto protestava, é justo que seja punido, mas de acordo com o que manda e lei e respeitando, sempre, o devido processo legal. De qualquer forma, não podemos permanecer calados, enquanto vemos cidadãos comuns e jornalistas irem para a cadeia, apenas porque estavam em uma mobilização de rua”, diz Beth.

A deputada tem reunidos diversos materiais veiculados na imprensa e nas redes sociais, que contêm fortes indícios acerca de abusos que teriam sido cometidos pela PM contra os manifestantes. “O comandante precisa se explicar. Estamos em uma democracia. Significa que as autoridades não devem, jamais, tratar o povo e a imprensa como inimigos. Essa mentalidade não pode continuar a vigorar por aqui. O papel da polícia deveria estar centrado na defesa dos cidadãos e dos direitos humanos, e não na repressão a quem pensa diferente”, afirma.

Presidente da Comissão afirma que há policiais infiltrados entre os jovens

“Nos últimos dias, o governo Alckmin prometeu intensificar a repressão nas próximas manifestações de rua. Ao anunciar isso publicamente, ele deu a senha para a repressão abusiva, descabida, desnecessária da PM”, atenta o deputado Adriano Diogo, que preside a Comissão de Direitos Humanos. “Os policiais atiraram em jovens, jornalistas, pessoas que estavam passando. Barbarizam mesmo para forçar uma reação violenta.”

“Embora o metrô e o trem tenham aumentado, o governo Alckmin, nas entrevistas, só se refere ao aumento do ônibus, para atingir o governo Haddad”, prossegue o deputado. “É uma ação pensada, bem orquestrada, com vistas à eleição de 2014, e com o objetivo de desmoralizar o PT.”

“Nessas horas, dá perceber claramente o que nós já sabemos: a estrutura policial da ditadura permanece intacta, principalmente os setores de inteligência, como a P2 e a tropa de choque”, denuncia Adriano. “Infiltraram policiais civis e militares à paisana no meio da garotada para incitar a violência. Ninguém me contou, eu vi um bando de profissionais em provocação – não eram estudantes! –, quebrando vidro, fazendo bandidagem.”

Com informações da ass. imprensa – dep. Beth Sahão e Vi o Mundo

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