Comissão da Verdade retrata a situação de presas políticas na ditadura militar

04/04/2013

Cidadania

A Comissão da Verdade paulista, em reunião coordenada pelo deputado João Paulo Rillo, ouviu, na quarta-feira (3/4), a autora do livro Luta, Substantivo Feminino, Marise Egger-Moellwald. O livro traz depoimentos de 45 mulheres brasileiras, presas políticas durante a ditadura militar, que foram torturadas e brutalizadas nos porões durante as décadas de 1970 e 1980.

Marise acredita que a sociedade tem direito de saber a verdade sobre as terríveis ocorrências daquele período, de forma a repudiar os procedimentos adotados pelos torturadores de então. As comissões e outros grupos que procuram a verdade a partir dos depoimentos dos que vivenciaram a época têm as ferramentas necessárias para tornar público o que ocorreu nesse período obscuro da história brasileira.

Buraco Quente

O que levou Marise a se integrar ao Partido Comunista Brasileiro em 1975, quando era estudante de Ciências Sociais na USP, foi a empatia que teve com a estratégia escolhida pelo partido para lutar pela sociedade democrática. Além disso, contribuiu o fato de ser filha de refugiados austríacos, vítimas da 2º Guerra Mundial, da qual conseguiram escapar rumo ao Brasil, motivo pelo qual mantinham em seu lar brasileiro absoluto silêncio sobre conflitos de qualquer natureza, conservando-se à margem de envolvimentos políticos. Não havia, portanto, oportunidade em sua família para esse tipo de debate.

Foi assim que Marise se aproximou dos moradores da favela do Buraco Quente, com quem passou a vivenciar uma realidade de carência e precariedade de qualidade de vida. Ali as pessoas ficavam expostas a um ambiente de omissão do poder vigente, onde o povo carecia de qualquer tipo de serviço público ou das facilidades da qual desfrutavam os mais bem aquinhoados da sociedade na época.

Militante e presa política

No período de sua atividade política, junto com as militantes do PCB, integrou-se a grupos da sociedade organizada, com quem discutia as carências da realidade corrente e falava sobre as vantagens das liberdades democráticas, que poderiam trazer a melhoria da qualidade de vida para aqueles com menor renda.

Presa em 23/10/1975, foi na guarda de uma das moradoras do Buraco Quente que deixou seus filhos – tal a confiança que lhe inspiravam – enquanto ficou detida no Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), órgão subordinado ao Exército. Sem entrar em detalhes sobre as torturas sofridas durante sua prisão, mencionou que as mulheres ali detidas eram sempre abusadas sexualmente.

A escritora confidenciou ter sido expulsa, em 1982, do PCB, uma vez que seus princípios não mais se coadunavam com os do partido.
Indagada pelos presentes sobre suas expectativas a partir de efeitos causados pelos depoimentos das vítimas da ditadura militar, Marise disse que espera um movimento de repúdio suficientemente grande para impedir que os acontecimentos narrados se repitam neste país.

fonte: Agência Alesp

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