Comissão de Acompanhamento e Assembleia vão mediar busca de solução na interdição da USP Leste

24/04/2014

Interdição da USP Leste

A interdição da USP Leste e a dimensão dos riscos de contaminação e eventual explosão da área onde está sediado o campus USP Leste e a EACH – Escola de Artes Ciências e Humanidades, foi discutida por alunos, professores, funcionários, técnicos da Cetesb e o vice reitor Vahan Agopyan, na tarde desta quinta- feria, na Comissão de Direitos Humanos na Assembleia Legislativa, presidida pelo petista Adriano Diogo.

Logo no início dos trabalhos, a professora Adriana Tufaile apontou alguns dados da contaminação do solo da universidade e chamou atenção sobre a ausência de informações sobre a real dimensão da contaminação do solo e da água.

As causas da interdição e a falta de monitoramento do subsolo foram algumas das questões apontadas por professores, alunos, elencada por Ciro Correia, professor da universidade e presidente da Adusp- Associação dos Docentes da USP, que cobrou providencias das autoridades. “É inquestionável a responsabilidade do governo de São Paulo e da reitoria da universidade” ponderou Ciro, que sugeriu a realização de seminário envolvendo toda a comunidade universitária, moradores, sociedade paulista, técnicos, especialistas, para traçar um plano de ação, antes de formalizar acordos com o Ministério Público.

A possibilidade da constituição de um TAC- Termo de Ajustamento de Conduta, entre a Universidade e a Cetesb, recebeu críticas de professores e alunos, lideranças e deputados que cobraram do vice reitor e da Cetesb, transparência nas informações sobre as condições e os riscos da área.
A precariedade com que a USP, vem tratando o problema foi levantada pelo professor Marcelo Arno Nerling, mestre de direito constitucional que citou a existência de um TAC efetuado em 2005. ‘Este foi firmado antes da ação civil pública” alertou.

Segundo Elton Gloeden, representante da Cetesb a situação da contaminação foi analisada a partir da inspeção na área, com medição nos 115 postos de monitoramento e contatado a presença de gás metano debaixo dos prédio, que somado ao relatório do perito culminou na interdição do local.

Elton contou que as condições para a liberação da área em outros momentos se deu com base nos aspectos; funcionamento do sistema de extração de gases e investigação detalhado do aterro. ‘Foi apresentado relatório da USP, com alguns resultados de metano e detectado presença de outros metais, mas em baixa concentração e que não apresentava risco”, afirmou.

Uma das polemicas surgiu quando foi levantada a reponsabilidade sobre os dados e relatórios apresentados. Elton falou que a USP contratou uma empresa que fez coleta, conduziu material para laboratório e entregou o resultado a Cetesb.

Ainda de acordo com Elton foram realizadas 200 sondagens, que apresentaram concentração de metais e afirmou que é difícil identificar qual origem do material no solo, por conta aterro e terras despejadas na área.” Para melhor caracterização é necessário uma malha fechada de amostragem das emanações gasosas,” ponderou.

Ainda segundo Elton algumas medidas foram realizadas para reter o contagio, como a cobertura do material, para evitar poeira, remoção de terra e plantio de grama. Quanto aos prédios existentes, respondeu que os instrumentos para extração do gás devem ser mantido para sempre.

Além dos problemas ambientais foram apresentados também questões com a oferta do bandejão, transportes pois os alunos foram distribuídos em diversos locais além da opressão da direção da Universidade à professores e alunos. Na ocasião o professor Alberto Tufaile denunciou que houve o envio de oficial de justiça à casa de três alunos, que participaram da ocupação da reitoria da Universidade, como meio de pressionar pela abertura de diálogo e denunciar a situação de contaminação da USP.

Contaminação da credibilidade

O deputado Carlos Neder lembrou que a situação da interdição da USP Leste foi discutida há seis meses e que muitas coisas foram encaminhadas naquela ocasião e, no entanto, continuam sem repostas. “Há necessidade de resguardar a imagem da Universidade, é preciso tratar a questão com seriedade e respeito, aos professores e alunos.” Neder informou que a Comissão de Educação e Cultura da Assembleia Legislativa aprovou a convocação do reitor da USP, depois de reiterados convites não atendidos.

O líder da Bancada deputado João Paulo Rillo fez apelo para que a constituição de qualquer solução e ou de TAC, se realize com base no diálogo e transparência.” Que a USP faça uma aliança com a comunidade, com a verdade e que a presença do reitor Rodas e da aliança da USP com a polícia militar seja um ponto fora da curva”, defendeu.

Já o deputado José Zico Prado, disse que como morador há 45 anos na Zona Leste, também vive a decepção diante do quadro, “A Cetesb tem responsabilidade, pois o parque ao lado também está contaminado e a população exigiu e área foi descontaminada, agora tem que apresentar solução para a USP, como é exigida pela sociedade.”

Uma das vozes que se destacaram na defesa da USP foi da professora Elizabete Cruz, da obstetrícia que narrou sobre as dificuldades vividas pelos professores e alunos, com a falta de estrutura e condições dar sequência as aulas e a elevação de casos de alunos que tem trancado os cursos, por falta de perspectivas de retomada da rotina dos cursos.” Queremos apenas Voltar para a universidade e trabalhar em paz. Faça um cronograma, queremos ficar todos juntos na zona leste. Planejamento com calma, para atender formação, especialidade e expansão.

E o deputado Adriano Diogo sugeriu a constituição de uma Comissão de acompanhamento para e que a Assembleia Legislativa quando solicitada faça mediação das negociações e diálogos. (rm)

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