Comissão de Educação debateu violência nas escolas

21/11/2008 10:33:00

Educação

Crédito:

Os deputados da base governista mais uma vez boicotaram a reunião da Comissão de Educação na quarta-feira (19/11). No entanto, isso não impediu que a Comissão, presidida pelo deputado Simão Pedro, realizasse, em caráter informal, uma reunião para debater com especialistas da área educacional o problema da violência nas escolas da rede pública estadual. O que motivou o debate, conforme explicou Simão Pedro, foi a rebelião acontecida semana passada na EE Amadeu Amaral, na zona Leste da cidade.

Com as presenças dos deputados Maria Lúcia Prandi (PT) e Carlos Giannazi (PSOL), o presidente da comissão lamentou que recentes pesquisas indicam que 82% das escolas da rede pública de ensino registraram problemas com violência. “Acho que a comissão, de alguma forma, pode buscar alternativas para melhorar esse fenômeno”, comentou Pedro.

Maria Lúcia Prandi ressaltou que a violência faz parte do cotidiano das escolas, mas somente alguns casos, como o da escola Amadeu Amaral, são divulgados pela mídia. “Por diversas vezes o tema foi debatido na comissão e a Secretaria de Educação, que não se posiciona para criar uma política diferenciada, nesses casos chama a polícia e remove os alunos.” A parlamentar, que também é da área educacional, apelou à secretaria da Educação, Maria Helena Guimarães de Castro, para que ouça os profissionais da área e reconheça a realidade do sistema.

Lamentando a ausência de parlamentares da base governista, Carlos Giannazi lembra que o líder do governo na Assembléia, Barros Munhoz (PSDB), esteve na escola Amadeu Amaral no mesmo dia que os membros da Comissão de Educação. “A discussão é séria e a questão da violência nas escolas foi denunciada à exaustão. Não existe receita mágica para isso. Basta fazer a lição de casa.”

Francisco de Assis Ferreira, da Secretaria de Legislação e Defesa dos Associados do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial Estado de São Paulo (Apeoesp), também lamentou a falta de atenção da secretaria frente ao problema. Ele confirmou que os funcionários das escolas são impedidos de falar sobre a realidade do sistema e declarou: “A secretária da Educação ignora as pesquisas que confirmam a violência nas escolas. Ela diz que o público pesquisado é muito limitado para apontar o tamanho do problema.”

Conforme Ferreira, a Apeoesp entrevistou mais de 860 professores sobre o tema. O resultado foi que 87% dos professores já souberam de algum caso de violência nas escolas, 93% relataram que a violência têm origem entre os alunos e 46% disseram conhecer casos de alunos que portavam arma nas salas de aula.

Assis enfatizou que há interesse por parte das associações em apresentar propostas, mas o governo não debate com a sociedade os problemas da educação. O representante da Apeoesp informou que a remuneração inicial dos professores é, em média, de R$ 6 por aula. Ele também confirmou que o quebra-quebra na escola da zona leste não foi um fato isolado.

 

* com informações da Agência Alesp

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.