Comissão de Saúde quer apurar mortes na maternidade

19/08/2008 19:55:00

Saúde pública

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A Comissão de Saúde da Assembléia, presidida pelo deputado Adriano Diogo (PT) recebeu, em 19 de agosto, o Superintendente do Hospital Estadual da Vila Alpina, Nelson Frenk, para informar sobre as atuais condições e esclarecer as recentes ocorrências na maternidade, sobre mortalidade de mães e bebês e possíveis negligências em atendimentos.

Logo no início dos trabalhos, o presidente da Comissão, deputado Adriano Diogo, abriu a palavra para parentes das vítimas da negligência no atendimento deporem sobre os fatos ocorridos na maternidade.     

O primeiro relato foi de Marlene Jordão, sobre caso ocorrido no ano passado, envolvendo sua nora Maria Dalva Hipólito, 45 anos, grávida portadora de diabetes.

Segundo Marlene, sua nora estava prestes a dar a luz, no entanto, o médico alegou que não estava na hora do parto. A paciente foi para casa, como não se sentia bem retornou ao hospital e novamente a informaram que precisava aguardar. Marlene disse que quando a nora falou que não consegui respirar, foi feita uma cesariana de emergência, mas ela não resistiu e morreu. “A minha neta está no hospital, respira através de traqueotomia e vive como um vegetal”, lamenta Marlene.”

Milton Alves Cavalcante também deu seu depoimento. Ele é pai de Cristina Santos Cavalcante, 29 anos, que morreu este ano. Milton disse que sua filha teve uma gravidez planejada, com pré-natal e ultra-sons periódicos.

Ao final da gestação, Cristina foi ao hospital e o médico lhe informou que ainda não estava na hora de seu bebê nascer e a dispensou. “Durante quinze dias este foi o procedimento da maternidade”, narrou Cavalcante.

Ainda na versão do pai, o último ultra-som feito constatou que Cristina estava com 41 semanas de gestação – o máximo são 40 semanas – e com este tempo, o cordão umbilical tinha dado duas voltas no pescoço do bebê, aí resolveram interná-la, pela manhã, e começaram a indução com medicamentos, para o parto normal.

A indução começou às 9h e, por volta das 23h, Cristina que estava acompanhada por sua mãe não estava bem, afirmou Milton, “a bolsa rompeu e deu–se início o nascimento da criança”. Nesse momento, Cristina disse ao profissional, que a assistia, que não estava sentido os braços e estava com falta de ar.

O menino nasceu, foi levado para a UTI e hoje precisa de alguns exames para ver se não ficará com seqüelas. Aproximadamente às 5 horas, após o parto Cristina faleceu com hemorragia e os médicos, ao darem a notícia, disseram que foi uma fatalidade. “Acho que poderia ter sido realizado outro procedimento”, diz o pai.

Tânia Lago, coordenadora do programa de Saúde da Mulher da Secretaria de Saúde do Estado, lamenta a mortalidade materna e se fez solidária a dor dos depoentes. Ela relatou que os casos estão em investigação pelo hospital para ver se houve falha assistencial e será também apreciado pelo CRM – Conselho Regional de Medicina, para que não haja falha na investigação.

A coordenadora afirma que há muito mais morte por cesarianas do que por parto normal e que a indução é normal, porque o bebê passa por um processo de maturação pulmonar.

O Superintendente do Hospital Estadual da Vila Alpina, Nelson Frenk, foi questionado pelo presidente da Comissão, deputado Adriano Diogo, sobre quem era o responsável técnico pelo hospital e como se deu a qualificação da Seconci – Serviço Social da Indústria da Construção Civil, que atua na assistência médica para o setor da construção civil e que em 1998 passou a prestar serviços ao Estado.  

O superintendente Frenk afirmou que a responsável é doutora Maria Fernanda Lopes e com relação a Seconci, a qualificação foi definida por lei na época do ex-governador Mario Covas e, a partir de então, passou a prestar serviços a instituições do Estado.

Sobre as ocorrências de óbito no hospital, Frenk afirmou que as apurações dos procedimentos internos ainda não foram concluídas.

Os deputados da Comissão de Saúde e Higiene foram unânimes nas declarações sobre a apuração dos casos o mais rápido possível.

 

 

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