Comissão ouve mais relatos de violações de direitos humanos na USP

03/12/2014

Faculdade de Medicina

A Comissão de Direitos Humanos da Assembleia Legislativa ouviu nesta terça-feira (2/12) representantes do Caoc (Centro Acadêmico Oswaldo Cruz) sobre as denúncias de casos de estupro, violência e preconceito que têm ocorrido dentro da Faculdade de Medicina da USP.

Os alunos Murilo Germano Sales da Silva, presidente do centro, e Renato Pignatari, presidente eleito, negaram conhecer os abusos, os envolvidos ou as práticas do Show Medicina.

Para o deputado Adriano Diogo, presidente da comissão na Assembleia, os estudantes foram evasivos. “Ficaram de blá-blá-blá”, disse.

Adriano fez questão de exibir, durante a reunião, vídeos que mostram esses abusos. Em um deles, um estudante é preso e despido por colegas, que introduzem uma pasta de dente em seu ânus.

Em outro, uma apresentação do Show Medicina encena a música Geni e o Zepellin, numa clara tentativa de retaliação ao Coletivo Feminista Geni, da Faculdade de Medicina da USP.

A advogada Marina Ganzarolli disse que a violência contra a mulher é uma prática reiterada, e que as diretorias das faculdades se omitem, quando não criminalizam as vítimas. Participante do Coletivo Feminista, citou os casos de estupro denunciados, o último ocorrido há duas semanas. Clamou para que o Estatuto da USP seja mudado para que sejam previstas sanções mais firmes, que levem até a jubilação de agressor.

Ex-aluna de Farmácia e Bioquímica e funcionária do laboratório da USP há 20 anos, Sheila Serra Vieira pediu para depor na Comissão. Respondendo a questionamento da promotora de Direitos Humanos Paula de Figueiredo Silva, contou episódios de assédio moral que sofreu por parte de professores e colegas funcionários por ser homossexual. Falou ainda do uso de drogas controladas em festas, substâncias que podem ser encontradas no laboratório, cujo acesso é restrito a alunos da área médica e funcionários da USP e do Hospital das Clínicas.

Um dos diretores do DCE da USP, Gabriel Lindenbach afirmou que a entidade tem recebido denúncias de violência sexual, racismo e homofobia vindas de todos os campi da USP, principalmente após o início destas audiências na Assembleia. Segundo ele, há pressão institucional para que não sejam feitas denúncias, por isso, embora a congregação tenha se recusado a fazer de 2015 um ano de debate sobre os direitos humanos, os estudantes o farão.

Para Lindenbach, o problema não são o álcool ou as festas, mas os fármacos usados para adulterar as bebidas alcoólicas de terceiros.

A deputada Beth Sahão concordou com Gabriel e afirmou que essas festas podem continuar, mas em outros moldes.

O estudante da FMUSP Felipe Scalisa, que denunciou os casos de violência à CDH, reclamou que está sendo agredido e ameaçado desde que o Caoc abriu consulta sobre sua candidatura à Direção Executiva Nacional dos Estudantes de Medicina (Denem). Falou ainda que o Caoc cede espaço ao Show Medicina, e se omite sobre vandalismo praticado contra as instalações.

CPI

O deputado Adriano Diogo defendeu a necessidade de instalação urgente de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para continuar investigando essas denúncias, pois esse colegiado teria poder para convocar diversas pessoas para depor, incluindo algumas que já ignoraram convites da CDH, como o próprio diretor da Faculdade de Medicina da USP, José Otavio Costa Auler Jr.. Ele também citou as tratativas para que essa comissão seja instalada, pois depende de acordo entre os líderes. O deputado Marco Aurélio lembrou que a CPI pode ainda dar mais segurança aos depoentes, pois poderia receber denúncias anônimas.

Com informações do portal Alesp

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