Concessionárias que administram rodovias paulistas têm lucro recorde

20/08/2010 14:53:00

Custo Pedágio

 

Qual a margem de lucro das concessionárias de rodovias em São Paulo? A pergunta que os paulistas sempre se fazem quando passam por uma das 237 praças de pedágio do Estado torna-se cada mais frequente, devido à inauguração de novas praças. Afinal, o número de pedágios aumentou cerca de 492% sob as administrações tucanas. Além disso, todas as praças de cobranças, novas e antigas, passaram à iniciativa privada, em contratos que estabelecem de 20 a 30 anos de concessão.

Segundo a Comissão de Valores Imobiliários – CVM -, os lucros das concessionárias em 2009 variaram de 20,9% a 80,1%. A taxa de retorno das 14 concessionárias de rodovias paulistas foi, em média, 37,2% no ano passado, de acordo o balanço da CVM. Taxa de retorno é o ganho líquido obtido por uma empresa, considerando cada real investido.

Nos contratos com as operadoras, há uma cláusula sobre a possibilidade de revisão da taxa de retorno do investimento; ou seja, é possível discutir o lucro do negócio. De olho nesta possibilidade. os deputados petistas Marcos Martins e Rui Falcão pediram, há 3 anos, a instalação de um CPI para investigar os pedágios. Mas, a maioria governista na Assembleia Legislativa barrou a iniciativa.

“A necessidade de revisão é flagrante, não apenas pelo contraste com os critérios federais. Com efeito, a sangria provocada no bolso do contribuinte e o ônus suportado pelos produtores e transportadores de mercadorias revertem em polpudos ganhos para as concessionárias privadas”, justificam os deputados petistas no requerimento da CPI.

No ano passado, a Renovias, que administra cinco rodovias entre Campinas, Circuito das Águas e Sul de Minas Gerais, liderou o ranking das concessionárias mais rentáveis, com lucro de 80,1%. Já a Autoban, responsável pelo Sistema Anhanguera-Bandeirantes, teve índice de lucro de 70,7%. A EcoVias, que opera o Sistema Anchieta-Imigrantes, lucrou 55,3%.

O lucro da CentroVias em 2009 foi de 45,7%. A concessionária administra 218,2 quilômetros que abrangem 12 municípios da região Centro-Norte do Estado de São Paulo, entre as Rodovias Washington Luís (SP 310) até a SP 225. Segundo a própria concessionária, passam diariamente por suas praças de pedágio aproximadamente 33 mil veículos.

Responsável pela administração das Rodovias Castelo Branco e Raposo Tavares, a ViaOeste lucrou 42,4%. A Intervias, que assumiu uma malha de 375,7 quilômetros entre os municípios de Araras, Leme, Mogi Mirim, Pirassununga, Piracicaba, Porto Ferreira, Rio Claro, Santa Rita do Passa Quatro e São Carlos, teve lucro de 38,4%.

A concessionária InterVias pertence à OHL Brasil, do grupo espanhol Obrascon Huarte Lain, responsável também pela AutoVias, CentroVias, Via Norte e Autopistas Fernão Dias, Régis Bittencourt e Litoral Sul.

Na AutoVias, o lucro foi de 30,2%. A concessionária explora 316,5 quilômetros de rodovias nas proximidades dos municípios de Ribeirão Preto, Franca, Araraquara, Santa Rita do Passa Quatro e São Carlos. É por este trecho que passa grande parte da produção agroindustrial do nordeste de São Paulo e do sul de Minas Gerais.

Já a ViaNorte, que opera 236,6 quilômetros no entorno de 15 municípios da Região Nordeste do Estado, entre eles Sertãozinho, Bebedouro e Ribeirão Preto, teve lucro de 20,9%.

Levantamento realizado pela Bancada do PT na Assembleia Legislativa confirma que o Estado de São Paulo tem o quilômetro de rodovia mais caro do mundo. Até o fechamento desta matéria, os motoristas em trânsito por São Paulo já haviam deixado nas cabines de pedágio mais de R$ 3 bilhões e 300 milhões, segundo o Pedagiômetro, uma ferramenta virtual que calcula, em tempo real, o quanto as concessionárias estão arrecadando com o loteamento das rodovias que cruzam o estado mais rico do País.

 

 

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