Construtoras responsáveis por cratera vencem nova licitação do Metrô

28/08/2008 16:45:00

Tucanagens

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As construtoras Camargo Correa e Queiroz Galvão venceram a licitação para a construção da via permanente e do sistema de terceiro trilho da expansão da linha 2-Verde do Metrô de São Paulo. Os envelopes com as propostas foram abertos na nesta quinta-feira (28/8) e o orçamento das construtoras, de R$ 219,7 milhões, foi o escolhido.

Queiroz Galvão e Camargo Correa são duas das empresas que fazem parte do consórcio Via Amarela, responsável pela construção da linha 4-Amarela e pela cratera que se abriu em janeiro do ano passado nas obras da futura estação Pinheiros, onde sete pessoas morreram. Além das duas vencedoras, só a Andrade Gutierrez e a OAS –que também fazem parte do Via Amarela– foram consideradas aptas a participar da concorrência. Perderam.

A licitação era contestada pelas construtoras Tejofran e o consórcio formado pela Carioca, Convap e Sutelpa junto ao próprio Metrô e na Justiça.

As outras duas também fazem parte do consórcio Via Amarela, ou seja, apenas as responsáveis pela cratera puderam participar da nova licitação. As outras construtoras foram desconsiderados por não cumprir critérios jurídicos ou técnicos.

Matéria publicada no site FolhaOnline – 28/8/2008

Acidente não foi fatalidade: Metrô e Consórcio são responsáveis

O laudo do Instituto de Criminalística (IC) sobre o acidente da Linha 4 do Metrô, em janeiro de 2007 que deixou sete mortos, aponta entre as causas a seqüência de explosões para a abertura do túnel no solo “rocha podre” e a falta de reforço em paredes do túnel.

 

O documento coincide em mais de 80% com as conclusões do laudo do IPT – Instituto de Pesquisas Tecnológicas –  e com o relatório que a Bancada do PT apontou em março de 2007, dois meses após o acidente.

Peritos do IC que trabalharam na investigação relataram ao jornal Folha de S. Paulo duas situações que resvalam em decisões do governo estadual. Uma delas é a escolha do modelo de contrato, conhecido como “turn key”, que delega mais autonomia às empreiteiras; e a profundidade da escavação. Para os peritos, se fosse 20 metros mais baixa, a característica do solo seria melhor e os riscos menores.

“Esperamos que sejam responsabilizados aqueles que tomaram as decisões erradas, sem ouvir a sociedade e todos os alertas que estavam sendo feitos sobre os problemas com aquela obra. Esperamos, ainda, que essa responsabilização não recaía sobre o ‘peão’ da obra, mas naqueles que tinham poder de decisão.  Essas irresponsabilidades não podem ser mais cometidas para que tenhamos segurança verdadeira nas obras públicas”, explicou o deputado Simão Pedro.

Laudo de acidente do metrô segue para o Ministério Público

O Instituto de Criminalística (IC) deve enviar ao Ministério Público os laudos sobre o acidente nas obras da estação Pinheiros da Linha Amarela do Metrô em janeiro de 2007. A informação é do deputado estadual Simão Pedro, que esteve no instituto no dia 22 de agosto para saber em que etapa se encontra a elaboração dos laudos.

Simão havia solicitado a audiência há mais de um mês e foi recebido pelo superintendente do instituto, Celso Periolli. O superintendente informou ao deputado que oito técnicos trabalham nos laudos.

Antes do acidente, Simão Pedro já havia denunciado problemas nas obras da Linha Amarela. Ao longo desse ano e meio, o deputado colaborou com a investigação, prestando informações ao Ministério Público e ao IC.

Recentemente, reportagem do jornal O Estado de S.Paulo informou que o consórcio Via Amarela, responsável pela obra, dificultou as investigações sobre o acidente, transferindo para outros locais os responsáveis pelo empreendimento. Essa atitude atrapalhou o trabalho dos técnicos do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicas) que apuravam as causas do desabamento. Mesmo com esse boicote, o IPT elaborou o laudo e apontou erros na execução da obra e falhas no processo de fiscalização.

Na mesma reportagem, o Estadão informou que os laudos do IC deveriam referendar as conclusões do IPT. O texto assinalava que, antes de seguir para o Ministério Público para ser anexado ao inquérito, o laudo do IC seria levado à cúpula da Secretaria de Segurança Pública.

Simão ficou preocupado com esse trecho da reportagem. “Estamos acompanhando o inquérito passo a passo”, garantiu. 

 

 

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