CPI da Merenda: Capez esquiva-se e polícia ataca e reprime estudantes

14/09/2016

Máfia da Merenda

Crédito: PT Alesp

Bancada do Pt na 11a reunião da CPi da Máfia da Merenda

Agressão física e impedimento da entrada estudantes, jornalistas e até de deputados na 10ª reunião da CPI da Merenda

A 10ª reunião da CPI da Merenda que aconteceu na manhã de hoje, 14/09, como era previsto, reuniu número maior de participantes, para acompanhar depoimentos do deputado Fernando Capez (PSDB), presidente da Casa e suspeito de envolvimento com a Máfia da Merenda.
A sessão foi marcada por tensão e violência. Estudantes que chegaram na Assembleia na noite de ontem para assistir a reunião depararam-se com uma fila de pessoas que se identificaram como assessores de deputados da base governista. Embora ainda houvessem cadeiras vazias, eles foram impedidos pela PM de entrar no plenário.

Apenas 17 puderam entrar para acompanhar o depoimento. A partir de então a PM aumentou seu contingente e formou um cordão humano chegando a agredir estudantes que foram levados à enfermaria da Casa. Um foi detido e conduzido ao 36º DP e recebeu assistência jurídica da Bancada do PT. Duas policiais tiveram escoriações nas mãos.
Não achando suficiente e rompendo com protocolos do Manual de Controle de Distúrbios Civis e Manual Básico de Policiamento Ostensivo, a polícia ainda jogou spray de pimenta sobre os presentes, chegando a acertar o deputado Alencar Santana Braga, que pediu para que a sessão da CPI da merenda fosse pausada por alguns minutos até que se recuperasse.

Líder da Bancada petista, José Zico Prado protestou o fato de ter que falar com um Coronel da PM para poder entrar na sessão. Os deputados da Bancada petista repudiaram o impedimento de acesso da imprensa e aos estudantes ao plenário.

Primeiro depoente, “Licá”. “Não vi, não fui, não sou”.
Depoimento de “Licá”, Luiz Carlos Gutierrez, foi intercalado com pausas por causa da violência da PM contra os estudantes, que se prolongou por quase todo período da manhã. Licá é citado em mensagens que César Bertholino, ex-vendedor da COAF, passou ao presidente da cooperativa, Cássio Chebabi. Em uma das mensagens, divulgadas pela Folha de S. Paulo, Bertholino diz a Chebabi que “os caras estão bravos (…). Fica de olho nisso pq pelo tom de voz do Licá eles não estão brincando não”.

Momento Capez
Os deputados da Bancada petista criticaram a precipitação de convocar o presidente da Assembleia Legislativa e suspeito de envolvimento na Máfia da Merenda, Fernando Capez, para depor neste momento, sob o argumento de que não têm informações suficientes para questionarem-no. Observaram que Capez, inclusive, teve acesso às informações advindas das delações premiadas dos envolvidos no esquema, o que os demais deputados integrantes da CPI ainda não têm. Em seu depoimento Capez foi evasivo e tentou desassociar-se das figuras dos seus dois ex-assessores que estão sendo investigados pela CPI da Merenda (Jéter e Menivaldo). Licá, também investigado, permanece seu assessor.

Quando Capez entrou para depor, sua presença causou reação dos estudantes, que, além de manifestarem-se contra a fraude das merendas, questionaram também a falta de merenda e a má qualidade dos alimentos em diversas escolas estaduais.

“O que precisa ser explicado é o problema que aconteceu não no interior , mas no seu gabinete”, disse Enio Tatto a Capez lembrando-se também que Jéter “embaralhou-se todo” em seu depoimento prestado ontem, 14/09, à CPI da Merenda.

Único membro petista a compor efetivo da CPI da Merenda, Alencar Santana Braga, durante a oitiva de Fernando Capez, aproveitou para denunciar a superfaturação dos valores dos preços de merendas oferecidas a escolas estaduais: “Avaliação do Tribunal de Contas é que houve sobrepreço sim, superfaturamento, até apreciou algumas prefeituras como São Bernardo, que está num preço médio, 0,76, e no Estado diz que, mesmo na agricultura familiar o suco está no mínimo 44% a mais. Não é porque tem a ver com merenda da agricultura familiar ou não. O preço médio está acima do preço médio do mercado”, concluiu Alencar Santana Braga.

Estudantes têm direito a ocupar plenário!

A Bancada do PT já tinha solicitado que a reunião de hoje fosse realizada em algum plenário maior da Casa, o que não foi acatado pela Bancada governista. A deputada Márcia Lia reiterou o pedido durante a sessão, que continuou sendo negado.

“Os protagonistas desta CPI são os estudantes é um absurdo impedir acesso deles e da imprensa ao depoimento do presidente da Casa. O absurdo é tão grande que neste momento tem três plenários grandes vazios”, posicionou-se Enio Tatto.

Funcionário de Capez que pegou segunda licença saúde é flagrado tomando uísque

José Merivaldo dos Santos, assessor de Capez afastado do cargo na Assembleia quando a operação Alba Branca teve início, seria o segundo depoente da CPI da Merenda, mas não compareceu, alegando motivos de doença. No entanto, ele foi flagrado na última quinta-feira bebendo uísque e fumando charutos na tabacaria Lee, no shopping Center Norte.

Os depoentes Jéter Rodrigues, Marcel Ferreira Julio e Roberto Lamari voltarão a ser chamados. O deputado Alencar Santana solicitou que se investigue coação que Jéter confirmou ter sofrido em seu depoimento na 9ª reunião da CPI da Merenda, em 14/09.

A Bancada petista novamente participou em peso da sessão de hoje. Entre os presentes: o líder da Bancada do PT, José Zico Prado, e os deputados Alencar Santana Braga, Enio Tatto, Marcia Lia, Marcos Martins, Ana do Carmo, Luiz Turco, Teonílio Barba e João Paulo Rillo.

Marina Moura

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