CPI ouve mais uma cooperada e aprova convocação de Blat e Vaccari

11/05/2010 18:59:00

Depoimentos

A aposentada e corretora de imóveis Yara Regina Ferreira foi ouvida, nesta terça-feira (11/5), pelos deputados integrantes da CPI da Bancoop, que apura denúncia de supostas fraudes.

Em seu depoimento, Yara afirmou aos deputados que conheceu a cooperativa através do jornal do Sindicato dos Bancários e recebeu a recomendação de uma amiga bancária e que, em novembro de 2001, adquiriu um imóvel na região norte da Capital, na Parada Inglesa.

Segundo a cooperada, em 2003 ela ficou desempregada e passou a ter dificuldades em pagar as prestações do imóvel, que se iniciaram em R$ 600 e passou para R$ 2 mil em 2008, que culminou num total de R$ 150 mil, sendo que o contrato de termo de adesão descrevia o imóvel em R$ 100 mil.  

Ainda de acordo com depoimento de Yara, ela por inúmeras vezes buscou negociação e parcelamento da dívida junto a Bancoop, que no momento de entregar as chaves do imóvel alegou outro resíduo no valor de R$ 48 mil. Ela, então, informou que não tinha condições de assumir esta dívida e somar este resíduo com as prestações que estava pagando. Por isso, deixou de efetuar os pagamentos. A depoente descreveu as angústias e frustrações por conta da questão e narrou a última tentativa de diálogo com a cooperativa, onde vivenciou com suas filhas situação de descaso e agressões, mas não fez registro do ocorrido por falta de atendimento na delegacia.

O deputado Vicente Cândido ressaltou que a cooperada recorreu à cooperativa habitacional dos bancários para adquirir imóvel por falta de uma política habitacional, nos governos estadual e federal. “Hoje a sociedade brasileira conta com programa habitacional, linhas de crédito e financiamento, que viabilizam o cidadão adquirir sua casa própria. Não ocasião em que a senhora Yara se associou ao Bancoop, não era esta a realidade do país.“

Já, o deputado Vanderlei Siraque destacou que o problema da Yara é tipicamente de ordem civil e de relação de consumo. “Nós temos defendido a negociação e o diálogo, somos solidários aos problemas da senhora Yara, mas a CPI tem papel de investigar se houve fraude e levar os indícios ao Judiciário.”

O líder da bancada petista, deputado Antonio Mentor, reiterou a compreensão da dificuldade financeira que provocou a inadimplência da cooperada e repudiou a atitude de integrante da base governista de insinuar o envolvimento do PT nas questões da cooperativa.

Ao final dos trabalhos da CPI, foram aprovados dez requerimentos, entre eles o que convoca o promotor Carlos Blat, o ex- presidente da cooperativa João Vaccari  e a atriz Débora Secco, além de outros mutuários.       

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