Cresce pobreza em SP, após aumento do agronegócio

17/12/2012

Mogiana e Pontal

Cresce pobreza na Alta Mogiana e Pontal do Paranapanema, após aumento do agronegócio

Segundo pesquisa, regiões da Alta Mogiana e Pontal do Paranapanema registraram crescimento da pobreza, após aumento da industrialização do campo. Nas duas últimas décadas, o governo tucano em São Paulo tem legalizado a grilagem e favorecido o agronegócio

Uma pesquisa de mestrado da Universidade Estadual Paulista (Unesp) mostrou que existe uma relação entre a expansão de atividades do agronegócio e o crescimento da pobreza em áreas específicas do Estado de São Paulo.

Segundo o estudo, regiões reconhecidas pela força agroindustrial estão passando por um processo de concentração de renda, de terras e de pobreza. O levantamento sinaliza ainda que o agronegócio aproveita a vulnerabilidade das regiões para se instalar e criar raízes. Intitulado São Paulo Agrário: representações da disputa territorial entre camponeses e ruralistas de 1988 a 2009, o estudo é do pesquisador do Núcleo de Estudos, Pesquisas e Projetos de Reforma Agrária (Nera), Tiago Cubas. Ele trabalha com dados como o Índice de Pobreza Relativa, Índice de Gini e de Concentração de Riqueza para revelar uma situação de contradição.

Dos 645 municípios paulistas cadastrados para mapeamento, apenas 228 municípios conseguiram amenizar a intensidade da pobreza no período pesquisado. No restante, a miséria aumentou.

Hoje a população rural do Estado é de 1,7 milhões de habitantes, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 1980 era de 2,9 milhões. De acordo com a pesquisa, a região do entorno da cidade de Ribeirão Preto, a chamada Califórnia Brasileira, é uma das que mais aumentaram o abismo econômico entre a população durante os anos de 1988 a 2009. Situação semelhante também ocorreu no entorno das cidades de Araraquara e Campinas e nas regiões do Pontal do Parapanema – principalmente no entorno dos municípios de Presidente Prudente e Araçatuba, e do Vale do Ribeira, entorno do litoral sul paulista e de Itapetininga (veja mapa abaixo). Dos 645 municípios paulistas cadastrados para mapeamento, apenas 228 municípios conseguiram amenizar a intensidade da pobreza no período pesquisado. No restante, a miséria aumentou.

O autor mostra que as regiões onde isso ocorreu são espaços do desenvolvimento do agronegócio, especialmente da monocultura da cana-de-açúcar. É o caso da Região da Alta Mogiana (Ribeirão Preto, Araraquara e Campinas), onde a cana é preponderante. A área do Pontal do Parapanema, tradicionalmente reduto da pecuária no estado paulista, também sofreu com a expansão da monocultura. “Isso pode significar que o agronegócio escolhe as áreas mais vulneráveis para se instalar e, assim por diante, acirrar as desigualdades sociais e degradar o meio ambiente”, explica o pesquisador.

Além de terem se tornado mais desiguais socialmente, essas regiões são as que mais registram conflitos e assassinatos contra trabalhadores rurais e camponeses. “Quando acoplamos as análises, a representação da expansão da cultura da cana-de-açúcar no período mais recente com os outros elementos é possível ver uma relação com maior incidência de violência”, explica Cubas.

PSDB legaliza a grilagem em São Paulo

Tucanos sustentam oligarquias rurais aos moldes do Brasil colônia voltada para a monocultura que exploram e expulsam os trabalhadores rurais

Nas duas últimas décadas o Estado de São Paulo, sob comando do PSDB, tem legalizado a grilagem e favorecido o agronegócio, com foco na produção de cana-de-açúcar no Pontal do Paranapanema; laranjas nas regiões de Avaré e Itapetininga e o eucalipto no Vale do Ribeira.

No início desde ano, a base do governo Alckmin aprovou na Assembleia Legislativa mudança na legislação, que regularizou as terras públicas devolutas até 500 hectares, há anos ocupadas por fazendeiros no Pontal do Paranapanema.

O governo do PSDB em São Paulo resiste em fazer Reforma Agrária no Estado, se omite em relação aos conflitos no campo e ainda reprime e criminaliza os movimentos sociais.

Os investimentos do Estado no fomento e apoio à agricultura familiar são mínimos e as dificuldades de acesso à programas de crédito têm levado os pequenos produtores ao endividamento.

fonte: Brasil de Fato e PT Alesp

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