Crise da água em SP vai afetar 0,8% do PIB brasileiro em 2015

06/11/2014

Além das torneiras

Crise hídrica vai além de torneiras secas

A crise hídrica no Estado de São Paulo não está só criando os transtornos domésticos do dia a dia. Economicamente, São Paulo também deve ter prejuízos mesmo que a situação do abastecimento não se agrave. “Dada a representatividade de São Paulo na composição do PIB nacional, já é possível estimar uma queda na ordem de 0,8% na economia”, prevê o professor de Economia do Insper, Otto Nogami. “Se o governo não começar a agir agora, podemos esperar que o crescimento encolha ainda mais”, completa.

Para se ter uma ideia, a seca que atingiu os Estados Unidos no verão de 2012 – a mais severa e mais longa dos últimos 25 anos – causou uma recessão de 0,2 ponto do crescimento da economia americana no segundo trimestre daquele ano.

Segundo Nogami, com a queda do PIB há um impacto direto na taxa de juros, impedindo que os preços caiam e dando início, assim, a uma reação em cadeia, que atinge desde o empresariado até o consumidor final.

“Preços altos alimentam a inflação, que pode chegar a ultrapassar os atuais 6,5%. A inflação alta desemboca na taxa de câmbio afetando a produção e, consequentemente, afetando a oferta no mercado interno. E importar produtos para abastecer o país com uma alta taxa de câmbio, inevitavelmente, vai impactar no poder de compra do consumidor”, complementa.

Segundo a Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), o setor já está demitindo por conta do problema. A situação só não é pior porque a indústria não está trabalhando com capacidade plena, o que reduz o impacto da escassez de água na produção. “Se a indústria estivesse trabalhando em plena capacidade, teríamos problemas muito maiores”, afirma Nelson Pereira dos Reis, diretor titular do Departamento de Meio Ambiente da Fiesp

As safras agrícolas também já apresentam resultados alarmantes. Uma reportagem do Wall Street Journal relata que as colheitas de café e cana de açúcar podem ser drasticamente afetadas, fazendo com que a estiagem tenha outro impacto negativo – o na balança comercial (relação entre importação e exportação de bens e serviços entre países).

“A medida que o preço de exportação estiver mais atrativo que o do mercado doméstico, a tendência é que os produtores direcionem ainda mais sua produção para o mercado externo, refletindo em aumentos de preços no mercado interno”, observa Nogami.

fonte: Yahoo Notícias

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.