Crise financeira na USP se agrava

25/02/2014

Cortes de verbas

Em primeira reunião do Conselho Universitário, reitor Marco Antonio Zago cortou verbas para pesquisa e prometeu o fim de lista tríplice para diretor

Devido a uma crise financeira, a USP (Universidade de São Paulo) passa por diversos cortes de gastos. Na primeira reunião do Conselho Universitário (CO), o reitor Marco Antonio Zago reduziu os investimentos deste ano em quase 30%. Uma das medidas de redução dos gastos será o corte de 73% da verba para pesquisa acadêmica. “Isso quer dizer que bolsas de iniciação científica, de pós-graduação, monitorias, trabalhos de campo, entre outros projetos, estão na corda bamba”, lamenta Barbara Grayce, representante da comissão gestora do DCE (Diretório Central dos Estudantes).

Barbara comenta que a crise, que começou em 2013, está problemática. Os prejuízos não afetaram somente os estudantes, como também os professores e outros funcionários. “Por causa dos cortes, os contratos de estagiários não estão sendo renovados. Os setores estão ficando sobrecarregados”.

Entretanto, a reunião do CO não se resumiu a soluções para a crise. Zago, que tomou posse da reitoria no dia 25 de janeiro, propôs uma reforma administrativa. Uma das promessas é o fim da lista tríplice para as eleições de diretor. Ou seja, o reitor não escolherá mais o diretor de uma lista dos três mais votados. Ainda que a medida seja progressista, Barbara acredita que não será o fim da luta por democracia na Universidade. “As eleições ainda acontecerão com pouca participação da comunidade acadêmica”, opina.

O reitor justificou que a lista tríplice faz com que os candidatos à diretoria passem por uma “subordinação implícita”. Ainda que ele escolha o primeiro da lista, o diretor não será totalmente independente. O mesmo acontece com os reitores, que são escolhidos por meio da lista pelo governador de São Paulo. Como tentativa de solucionar o problema, Zago propôs que os candidatos sejam encaminhados para a Assembleia Legislativa.

Porém, Barbara Grayce acredita que a medida não mudaria nada. “Salvo alguns parlamentares, a Assembleia Legislativa hoje é um grande balcão de negócios entre os partidos da velha ordem. Só ficaria mais explícito a quais partidos políticos candidatos X ou Y seriam ligados”, explica ela. “A juventude que foi às ruas em junho mostrou que essa maneira de fazer política não os representa mais. A USP precisa fazer a experiência com a democracia real, com a participação de toda e qualquer pessoa que constrói essa universidade diariamente”.

Barbara revela que mesmo que Zago pareça mais conciliador que seu antecessor, João Grandino Rodas, ela ainda tem suas ressalvas. “Chegou com cortes que prejudicam as áreas de excelência, que vão, provavelmente, prejudicar os estudantes que precisam de permanência para estudar na USP. Está colocando ‘ordem na casa’, a pergunta que fica é: o que vai custar essa arrumação?”.

Gestão de Rodas

De 2010 a 2014, Rodas foi o reitor da USP. Durante sua gestão, os estudantes ocuparam a reitoria duas vezes. A primeira, em 2011, pedia o fim do convênio da USP com a Polícia Militar e terminou com 72 detidos. Já em 2013, os estudantes pediam o fim da lista tríplice nas eleições para reitor. Porém, a ocupação, que foi acompanhada por greve estudantil, terminou sem negociações.

fonte: Spressosp

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