Debate mostra situação da saúde mental no mundo do trabalho

13/11/2007 15:34:00

Saúde do Trabalhador

 

Ocorreu recentemente, na Assembléia Legislativa, debate sobre Consciência da Saúde Mental – Síndrome do Pânico. A iniciativa foi do deputado estadual Cido Sério e teve como objetivo chamar atenção sobre o tema e também para o projeto que apresentou na Assembléia que propõe a instituição de uma “Campanha Estadual de Prevenção e Conscientização da Síndrome ou Transtorno do Pânico”.

Entre os debatedores, além do deputado, estiveram representantes de entidades de trabalhadores bancários, como Miguel Pereira, diretor executivo da Confederação dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), Crislaine Bertazzi, secretária de Saúde da Federação dos Bancários de São Paulo (Fetec-CUT), e Walcyr Previtale Bruno, secretário de Saúde do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região. Também participaram o psiquiatra e consultor organizacional Isaac Efraim e a doutora Maria Maeno, pesquisadora da Fundacentro.

Para o deputado Cido Sério, esse debate torna-se cada dia mais importante porque categorias profissionais, como os bancários, estão sendo mais afetadas por transtornos mentais derivados do excesso de trabalho, do assédio moral, entre outros problemas da atual organização do trabalho.

Miguel Pereira, da Contraf-CUT, lembrou que as doenças psicossomáticas trazem um sofrimento até maior porque os próprios trabalhadores tentam negar sua existência, apesar de ela ocorrer cada vez mais por conta da reestruturação produtiva no mundo do trabalho. “No caso dos bancários, literalmente tempo é dinheiro. Então vêm as metas individualizadas de venda de produtos, planilha individual acompanhando a produção o tempo todo. A pressão é tão grande que até nas festas dos amiguinhos do filho ele fica oferecendo cartão de crédito, seguro”, diz Miguel. Ele lembra que com isso o trabalho, em lugar de prazer, torna-se fonte de sofrimento e de traumas, o que não deveria ocorrer.

A secretária de saúde da Fetec-SP, Crislaine Bertazzi, expôs que a categoria bancária é uma das mais expostas a patologias e distúrbios mentais por conta das condições de trabalho. Ela lembrou que antes a “moda” eram as lesões por esforços repetitivos, as LER/DORT, mas que vêm sendo seguidas muito de perto pelos transtornos mentais. “É importante discutir não só a síndrome do pânico, mas todas as patologias mentais que estão sendo geradas no ambiente de trabalho”, afirma Crislaine. Durante o debate foi apresentado o documento da Fetec-SP “Transtornos mentais afligem a categoria bancária” (veja aqui).

Para Walcir Previtale Bruno, do Sindicato de São Paulo, hoje é necessário a sociedade brasileira discutir que, da forma como está organizado hoje, o trabalho bancário é danoso à saúde, leva ao adoecimento. “Temos de intervir nesse processo para que haja prevenção, pois enquanto estamos discutindo os adoecidos, há gente adoecendo nos locais de trabalho. É necessário tirar essa discussão do subterrâneo da sociedade”, conclui.

O médico psiquiatra Isaac Efraim explicou em sua exposição o que é e como se caracteriza o transtorno do pânico (nome adotado internacionalmente para a síndrome do pânico). Esclareceu que é uma sensação de medo intenso, aparentemente imotivada, caracterizada por crises súbitas e sem fatores desencadeantes aparentes, o que leva a um terror maior ainda: o medo de ter medo.

A causa é uma aceleração excessiva da mente, em que as idéias ficam desconectadas, sem lógica e há sensação de perda de controle, a pessoa acha que está ficando louca.

“Isso atinge boa parcela da população. Para ter idéia, cerca de 20% a 30% das emergências em prontos socorros ocorrem por ansiedade ou pânico”, relata. Um dos problemas mais graves é que a incidência dessa doença na população em geral vem aumentando. Hoje, 5% a 6% das pessoas são atingidas, contra 3% há cerca de 15 anos (para mais informações acesse o site http://www.ansiedade.com.br/).

Em sua intervenção, a doutora Maria Maeno descreveu como é caracterizado na legislação o adoecimento mental e mostrou que, no cruzamento de informações sobre adoecimentos com os ramos de trabalho, ficou caracterizado que os bancários adoecem principalmente por doenças muscoesqueléticas, como as LER/DORT, e as doenças mentais/psíquicas. “Para muita gente não existem as doenças psíquicas, aí as pessoas ficam muito mais tempo afastadas porque não têm tratamento adequado”, diz. A doutora destacou ainda que é necessário cobrar das autoridades para que resolvam a falta de assistência, para que existam programas de reabilitação e se trabalhe com planejamento e leis para preservar a saúde do trabalhador.

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