Delator da Máfia da Merenda é ouvido pelos deputados

17/08/2016

Máfia da Merenda

Em depoimento reservado Fossaluzza confirma esquema de roubo da Merenda

O envolvendo de agentes públicos no esquema que fraudava a compra da Merenda das escolas públicas do Estado foi confirmado pelo delator ex- funcionário João Roberto Fossaluzza Jr, que depôs em sessão reservada à CPI da Máfia da Merenda, na manhã desta quarta- feira, na Assembleia Legislativa.

Fossaluzza informou aos deputados que sabia das fraudes nas licitações e o pagamento de propina como prática recorrente na Cooperativa, mas o que o motivou procurar a polícia, foram os atrasos de seus salários, não recebimento das indenizações trabalhista, além das do não ressarcimento dos empréstimos que havia obtido para a Cooperativa.
De acordo com o ex- administrador ele entregou a polícia civil áudios em que o ex- presidente da Cooperativa Cássio Chebabi se referia a propina como ” bolas gordas de 30%, que foi reduzida 10% e 5%, por conta das dificuldades financeiras da Cooperativa.

A participação de funcionários da secretaria da agricultura com emissão de documentos em conluio com a Cooperativa também foi uma das informações relevantes trazidas pelo depoente.
Ainda de acordo com Fossaluzza um dos operadores é Carlos Eduardo da Silva, ex- diretor da COAF e funcionário da secretaria estadual de agricultura, que emitia a DAP- Declaração de Aptidão do Pronaf (programa do governo federal para voltado para a agricultura familiar). Silva tinha na secretaria a atribuição de fiscalizar a produção dos agricultores.

O conflito de interesses no acúmulo de função foi questionado pelas deputadas Marcia Lia e Beth Sahão,” o senhor jamais poderia exercer a dupla função”observou Marica Lia. Carlos Eduardo se abrigou no relatório de sindicância administrativa da secretaria que o isentou.. Em resposta aos deputado Alencar Santana Braga, o depoente informou que atuou por três anosna dupla função , período em que emitiu 96 DAPs e justificou a dupla jornada dizendo que tinha feito o pedido verbalmente de afastamento da Cooperativa e foi orientado por seu advogado para registrar em documento está solicitação.

Os deputados da base mantiveram o discurso de blindagem do Governo Alckmin, tentando vitimizar a gestão tucana e outros deputados citados nos depoimentos à CPI e à Justiça.

Ameaça de morte
O depoimento reservado de João Roberto Fossaluzza, ocorreu em reserva por conta da solicitação que ele apresentou à CPI, sob a alegação de que tem sofrido ameaças do ex- presidente da COAF- Cássio Chebabi e relatou duas situações em que foi perseguido por um carro fox e um gol branco.

Cartas marcadas
O acordo entre as cooperativas Coser, Agrosol e COAF para concorrer as licitações do governo Alckmin, também foi confirmado por Fossaluzza que classificou o esquema de corrupção em São Paulo, como merendão. ” Tem que ter a participação de agente público, senão não dá para fraudar a licitação,” apontou Fossaluzza.

Rosário Mendez

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