Delegados incentivam população a cobrar Estado

07/08/2012

Segurança pública

Quem passa pelas principais rodovias de acesso à capital paulista tem se deparado com mensagens de protesto contra a violência no Estado. A iniciativa faz parte de uma campanha lançada pelo Sindpesp (Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo), que espalhou 12 outdoors nas estradas e pretende, até o fim do mês de agosto, colocar outros 14.

Intitulada “S.O.S. Segurança Pública”, a campanha destaca os crimes recorrentes nos municípios paulistas, como latrocínio, homicídio, arrastões e tráfico de drogas e estimula o cidadão a reclamar diretamente com o Governo. Para isso, disponibiliza o twitter do governador Geraldo Alckmin e um dos telefones do Palácio dos Bandeirantes.

De acordo com George Melão, presidente do sindicato, os outdoors também serão espalhados no interior.

Ele explica que a ideia é incentivar que a população discuta o problema com o poder público. Segundo Melão, a iniciativa surgiu porque São Paulo não suporta mais tanta violência. “Já tivemos picos de violência. Cai e sobe. Parece a bolsa de valores. Tentamos conversar com o governador desde o momento de sua posse, para explanarmos o problema da segurança pública como um todo, mas principalmente, os pertinentes à Polícia Civil. Enviamos 4 ofícios pedindo audiência com o governador, mas não tivemos resposta”, afirma.

Entre os principais problemas destacados pelo representante Sindpesp, está o déficit de 6 mil policiais civis no Estado. “O número de cargos disponíveis para policiais civis é o mesmo que nós tínhamos em 1994. A última lei que criou 2.099 cargos é de 1994. Além de a criminalidade ter avançado, aumentou consideravelmente a população. Em 1993, havia em torno de 33 milhões de habitantes no Estado. Hoje, temos 42 milhões. Ou seja, enquanto a população aumentou mais de 26%, o número de cargos na Polícia Civil continuou o mesmo e com um agravante: com um déficit de 6 mil policiais referente ao quadro de 1994”, pondera Melão.

Na avaliação dele, a atual situação da segurança pública em São Paulo pode ser considerada “caótica”.

De acordo com o presidente do sindicato, o projeto prevê uma segunda etapa, com reuniões, palestras e discussões nos conselhos de segurança comunitária. “Queremos provocar cada vez mais o cidadão a buscar o debate com o poder público, que tem a obrigação de atender ao cidadão, de verificar quais demandas o cidadão necessita. Nós gostaríamos que o Estado de São Paulo não estivesse vivendo, como o secretário (da Segurança Pública estadual, Antonio Ferreira Pinto) falou, essa `escalada da violência`. Nós somos hoje obrigados a fazer um papel que a sociedade deveria estar fazendo espontaneamente”, destacou Melão.

Procurado pela imprensa, o governo de São Paulo afirmou, por meio da assessoria de imprensa, que não irá comentar a campanha.

Apoio aos policiais militares

Nesta terça-feira (7/8), aconteceu na Assembleia Legislativa um ato em apoio à Polícia Militar do Estado de São Paulo. Em plenário, o deputado do PT Marcos Martins se solidarizou à categoria, que, de acordo com ele, é desvalorizada e mal remunerada.

Além disso, o deputado, para exemplificar o descaso do governo com a segurança pública, citou episódio ocorrido em Osasco. O município recebeu do Estado novas viaturas que, apesar da enorme demanda, ficaram paradas à espera do governador Geraldo Alckmin para que pudesse ser feita uma “entrega oficial”.

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