Denúncias e propostas surgem em debate sobre crack promovido pela deputada Beth Sahão

21/06/2017

CRACOLÂNDIA

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Deputados do PT querem que situação da cracolândia tenha espaço na Assembleia Legislativa de SP. Deputados aliados de Alckmin fingem que questão não existe.

Grande parte dos grupos de direitos humanos estão discutindo a questão da cracolândia em SP, talvez a mais relevante atualmente do Estado, considerando que pessoas, dependentes do crack, têm sumido, sem que se saiba seus paradeiros.

Embora na Alesp os deputados da base do governador Geraldo Alckmin, que apoia “ações higienistas”, nem mencionem a questão, como se ela não existisse, o conjunto dos deputados petistas têm se dedicado a levantar o tema a fim de discutir ações junto a entidades que há anos pensam em políticas públicas para a população atingida pelo crack.

Toda esta situação levou a deputada do PT Beth Sahão, por meio de seu mandato e com apoio dos demais deputados petistas, a realizar hoje (21), o debate “Precisamos falar sobre a cracolândia”.

A ideia do debate, além de proporcionar a troca de propostas entre entidades e cidadãos que acompanham a questão da cracolândia, é levar esta questão para a Assembleia Legislativa, fazendo com que os deputados se posicionem e tomem atitudes.

Denúncias

Informações gravíssimas surgiram durante o debate e precisam ser repercutidas. Entre elas, o fato de pessoas estarem sendo levadas da cracolândia sem que tenha ideia de seus paradeiros.
Segundo um dos relatos feitos hoje no debate, há suspeita de que o pronto-socorro da Barra Funda é uma das unidades que está recebendo usuários para internação compulsória.

Presente na reunião, membros do Conselho Regional de Psicologia exigiram um banco de dados com as informações dos usuários para poderem acompanhar para onde os usuários estão sendo conduzidos.

A deputada Beth Sahão, que é vice-presidente da Comissão de Direitos Humanos da Alesp, manifestou sua intenção de “incomodar” os outros membros da comissão para que ajudem a criar políticas públicas para a região da Luz.

Muito barulho

Eduardo Valério, promotor público, citou na reunião dados da operação da polícia realizada na cracolândia. Para a ação foram deslocados 900 policiais, em onerosa operação, para o pífio resultado: apreensão 787 gramas de crack, 30 gramas de haxixe e 0,02 de LSD. Onze pessoas foram presas, apenas duas do Fluxo. Os demais eram pessoas do entorno. Na chamada “Feira Livre” duas pessoas foram presas. Uma trazia 424 gramas de maconha e 16 porções de cocaína, 276 gramas.

O caminho mais humano é o melhor

Presente no encontro, o líder do PT na Alesp, deputado Alencar Santana Braga, disse que existem políticas públicas para cracolândia, que o debate tem que ser feito e que o caminho humano é o melhor e a única alternativa que pode resolver a situação. “Pode ser caminho mais longo, mas qualquer outra alternativa passa por cima de direitos humanos”, complementou.

O deputado acredita que há uma opção política por detrás das ações higienistas de Dória e Alckmin e que ambos cometeram um crime contra as pessoas da cracolândia e que por isso devem ser denunciados em todos os órgãos possíveis.

“O que está sendo feito na cracolândia é a opção de jogar pra fora aqueles que estão à margem de uma maneira violenta em nome de interesses imobiliários, financeiros, de construtoras que tem interesse naquela área. Eles pensam em reconstruir a região e não pensam nas pessoas que lá estão”, complementou Alencar.

Em consonância com a fala do deputado, a psicóloga Lumena Furtado, ex-coordenadora do programa Braços Abertos, confidenciou que os psicólogos que acompanham os fatos da cracolândia mal dormem, pois vivem atentos ao celular, prontos para o próximo sobressalto.

“A polícia tem chefe e tem coordenação. O coordenador tem nome e é Geraldo Alckmin”.

Entidades presentes

Presidente do Conselho Regional de Psicologia de São Paulo (CRP-SP), Aristeu Bertelli; representante da Diretoria dos Psicólogos, Tamires Mavetto; coordenador da ONG Sã Consciência e do núcleo de Saúde da CRP-SP, Ed Otsuka; coordenador da Frente Estadual Antimanicomial, Luiz Moacyr Bertolino; ex-coordenador de saúde mental do Ministério da Saúde, Roberto Tykanori; ONG É de Lei, que atua na região há 10 anos; ex-secretário municipal de Direitos Humanos da gestão Fernando Haddad, Rogério Sotilli; promotor de justiça e direitos humanos, Eduardo Ferreira Valério; coordenadora auxiliar de Defesa do idoso, Fernanda Dutra Einchiaro; coordenadora auxiliar do núcleo de Direitos Humanos, David Quintanilha Frailde de Azevedo.

Ela é Eduardo Valério, promotor público
Raona, É de Lei
Entidades representatuvas da luta antimonicomial
Condepe
Ex-secretario municipal de Direitos Humanos, Rogério Sotilli
Alguns dos presentes….
Membros da equipe de gestão do Projeto DBA
DBA: De Braços Abertos
Plataforma Brasileira de Politica de Drogas, COMUDA, MP
Alguns doa presentes aqui.

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