Depoimentos de alunos do Show Medicina são novamente adiados

25/02/2015

CPI das Universidades

CPI aprova requerimentos para oitiva de novos casos da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp

A CPI que investiga as denúncias de violações aos direitos humanos nas universidades, na sua 26ª reunião, nesta terça-feira (24/2), deveria ter realizado a oitiva de seis alunos e ex-alunos da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), ligados ao Show Medicina. Porém, novamente os advogados que representam essa entidade alegaram que não tiveram acesso aos documentos da CPI, o que consideram necessário para a realização dos depoimentos.

O presidente da CPI, deputado Adriano Diogo (PT), lamentou os “artifícios jurídicos e as medidas protelatórias que atrapalham o andamento das investigações, pois todos os cerca de 9 mil documentos produzidos nas oitivas estão disponíveis para consulta”. Lembrou também que os advogados representam o Show Medicina, não os alunos, que estão sendo chamados para depor individualmente. Esse ponto foi ressaltado pelo deputado José Bittencourt (PSD), sendo que o advogado das partes, Jorge Coutinho Paschoal, comprometeu-se a trazer as devidas procurações individuais.

Diogo informou ainda que essa ausência reiterada será comunicada ao diretor da FMUSP, e que não afetará o relatório final da CPI, que deverá ser entregue ao Ministério Público para as devidas providências. Ele anunciou ainda que os convocados ausentes – Flávio Augusto Miorin, Rodrigo Bolini, Diego Ubrig Munhoz, Gabriel Fernandes Ribeiro, Willian Tetsuo Yamagata e Murilo Germano Sales da Silva – serão reconvocados. O presidente combinou prazo de uma semana para que os advogados possam conhecer os autos e trazer seus representados.

Requerimentos

Foram aprovados três requerimentos de convocação. Na qualidade de testemunhas, todas da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp, deverão vir à CPI o atual diretor associado Roberto Teixeira Mendes; o professor do Departamento de Saúde Coletiva, Gustavo Tenório Cunha; o coordenador do CAE e professor do Departamento de Saúde Coletiva Gastão Wagner Souza Campos; a coordenadora do CAE e professora do Departamento de Psiquiatria Eloísa Helena Rubello Valler Celeri; a psicóloga do Grupo de Apoio Psicopedagógico ao Estudante de Medicina, Enfermagem e Fonoaudiologia (Grapeme) Adiene Martins; a psiquiatra do Grapeme Eliza Maria Tamashiro; o professor e pesquisador de violência no âmbito estudantil Luís Fernando Tófoli; a professora do Departamento de Pediatria Maria Ângela Reis de Góes Monteiro Antonio; o professor e coordenador-geral da Residência Médica Ricardo Mendes Pereira; a professora e membro da Associação Brasileira de Educação Médica (Abem) Angélica Maria Bicudo Zeferino; e a professora e coordenadora do estágio do Internato no Caism Joana Fróes Bragança.

Foram convocados ainda, também da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp e como testemunhas, os estudantes e ex-estudantes da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp Tiago Henrique de Souza, Lucas Furtado, Daniel Astun Cirino, Daniel Moreira Pacca, Marcelo Taricani, José Augusto Hersan Nadal, Rodrigo Gonzalez Bocos, Juliana Fujikava Oba, Felipe Patoes Tavares e Vitor Yuzo Inada. Por fim foi aprovada a convocação do médico e residente em radiologia na Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp Daniel Porto.

Carta

Diogo e a deputada Sarah Munhoz (PCdoB) leram carta publicada na internet pelo estudante da FMUSP Rodrigo Bolini de Oliveira Lima, um dos convocados ausentes da reunião. No documento, Bolini fala das origens e propósitos do Show Medicina, reclamando da “clara intenção de colocar em julgamento público” a instituição, que diz ter caráter satírico e de entretenimento.

Na carta, Bolini ainda afirma que não há impedimento para nenhum aluno entrar no show, que hoje conta com 48 participantes, ressaltando que sempre houve a participação de muitos homossexuais. Na apresentação, são exibidos quadros feitos pelo grupo que os levam ao palco, e as piadas e músicas apresentadas se referem geralmente ao cotidiano do curso e fatos do noticiário, e expõe a opinião desse grupos participantes.

O estudante ainda falou sobre os conflitos havidos em 2014, que envolveu os alunos do Show Medicina e os coletivos feministas e LGBTT. Bolini disse ainda que após a CPI instalou-se no campus um “clima de medo e de perseguição, impedindo a confraternização dos alunos”. Ele reclamou ainda dos métodos da CPI, que primeiro ouviu as vítimas e depois os acusados, que foram expostos a “perguntas humilhantes e desrespeitosas”.

Para Adriano Diogo, a resposta à carta estará nos autos da CPI. Ele cobrou também o envio, pelo Show Medicina, dos vídeos das últimas apresentações e das cópias das contas da entidade. No final da reunião, foi exibido vídeo de segurança que mostra o arrombamento da porta de comunicação entre a FMUSP e o Serviço de Verificação de Óbitos, na noite de 16/9/2013. É acusado pelo fato o aluno Leonardo Turra, que alega ter “tropeçado”. Também participaram da reunião os deputados Dr. Ulysses (PV) e João Paulo Rillo (PT).

Campinas

Na segunda-feira (23/2), a CPI realizou uma reunião na Câmara de Campinas. Na ocasião, foram ouvidos sete alunos e três professores da Faculdade de Medicina da PUC de Campinas. Havia outras pessoas dispostas a dar seu testemunho, portanto poderá ser feita nova reunião na cidade.

Diogo falou que a expectativa da CPI em Campinas era ouvir depoimentos ligados não só à PUC, mas também à Unicamp, o que não foi possível por falta de tempo hábil, embora tenha havido apoio da câmara, e do vereador Pedro Tourinho (PT), que é médico e professor da PUCCamp. “Foi uma reunião excelente, e teve um repercussão enorme. É uma pena que não haverá tempo para fazer novas reuniões pelo interior”, finalizou.

fonte: Agência Alesp

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