Deputada diz que MP não investiga denúncias ambientais

10/08/2015

Crise hídrica

Para Ana do Carmo (PT), Ministério Público não toma providências em relação à crise hídrica em SP

Para a deputada estadual Ana do Carmo (PT), a crise da água na Região Metropolitana de São Paulo tem obstáculos para ser superada: um é o governo Geraldo Alckmin (PSDB), responsável pela crise, não tomar medidas para evitá-la e sem planos para não ter um racionamento na metrópole; outro é o Ministério Público, que deixa de tomar providências para apurar as denúncias contra a péssima gestão da água feita pela Sabesp e as agressões ao meio ambiente feitas nas áreas das represas que abastecem a Grande São Paulo. Ana do Carmo faz parte da minoria de deputados estaduais que se opõem ao governo do Estado e diz que somente o movimento popular é aliado nessa disputa desigual. Ela concedeu a seguinte entrevista ao ABCD Maior.

ABCD MAIOR- Como a falta de água na Região metropolitana é debatida na Assembleia e pelo Ministério Público? As denúncias que vocês fazem são investigadas?

Ana do Carmo – Esses assuntos são pouco debatidos. Denunciamos, falamos, tentamos fazer o possível. A mídia joga contra (a oposição) e muito a favor do governo do Estado. O Ministério Público também, porque, imagine só, em relação a essas medidas (da crise hídrica) que o governo do Estado faz na nossa Região, era para a Promotoria pegar forte pela degradação do meio ambiente. As denúncias são encaminhadas e nenhuma providencia é tomada.

Como o governo do Estado está se comportando em relação à crise da água na Grande São Paulo?

O que o Estado está fazendo na nossa Região, a exemplo da Billings em Rio Grande da Serra, é tirar a nossa água e degradar o meio ambiente. Eles falam que vão fazer a compensação do impacto ambiental e não fazem como não fizeram até hoje a compensação das obras do Rodoanel. O que o governo deveria fazer é dar agilidade na construção dos coletores-tronco, fazer a interligação dos coletores e reflorestar onde é necessário, mas não faz. A solução, se prevenir, é em longo prazo. Mas não há investimentos por enquanto do governo estadual para isso.

Diante disso, qual a importância da Frente Parlamentar em Defesa da Billings, na qual a senhora é uma das coordenadoras?

Entramos em todos os locais, denunciamos isso na Assembleia, no plenário, para a população e aos ambientalistas. Agora vamos fazer a reunião da Frente em Rio Grande e Ribeirão Pires e denunciar o descaso que está.

Nesse cenário, qual o papel dos movimentos sociais para pressionar que os projetos não sejam aprovados sem o debate com a população e na Assembleia?

Tem de ir para as comissões (permanentes) e para a Assembleia, mobilizar os deputados. Os movimentos sociais e várias entidades estão bem participativos e por isso conseguimos uma divulgação maior.

A senhora está no quarto mandato e viu a bancada de oposição ao governo Geraldo Alckmin (PSDB) reduzir na Assembleia Legislativa. Como tem feito o trabalho de oposição com uma bancada menor?

Há muita dificuldade, pois além da bancada ter diminuído, o líder de governo (no Legislativo, Cauê Macris/PSDB) é muito reacionário. É um líder que não tem respeito à participação popular, nas audiências públicas e a nada. Então não é fácil, mas não podemos desanimar e esgotamos todas as nossas possibilidades por meio do regimento interno. Fazemos todas as obstruções nas comissões e no plenário. Mas com esse tempo que ganhamos mostramos um pouco para população e entidades o que os deputados governistas estão fazendo contra a sociedade.

Um tema hoje pautado na sociedade é a redução da maioridade penal de 18 para 16 anos. O governador Alckmin chegou a dizer que o Estado de São Paulo não teria como comportar esses jovens ao sistema carcerário. Qual a sua avaliação?

Sou contra à redução porque nossos adolescentes precisam ter condições por meio de escolas em período integral, lazer, cultura, cursos técnicos e capacitação profissional. Hoje, a dificuldade está na falta de uma boa educação dos nossos jovens e a falta de estrutura das famílias, que são importantes para a formação do adolescente. Se a família cuida e dá carinho a esses jovens ao mesmo tempo em que o Estado cumpre com seu papel, esses adolescentes não ficam tão expostos como ficam hoje. Por isso, acho perigoso o que se aprovou na Câmara dos Deputados, pois logo teremos crianças de 12 ou 10 anos sendo cooptadas por traficantes.

Em meio a isso, a educação pública estadual em São Paulo está cada vez mais precária e o governador não tem dado sinais de melhora. Exemplo disso, foi a greve dos professores estaduais de 92 dias em busca de melhores salários e condições de trabalho. Essa falta de investimento do Estado na Educação torna esse cenário ainda mais preocupante?

A falta de respeito do governo do Estado com a Educação é gravíssima. Temos um levantamento em que grande parte das escolas estaduais estão entregues a ninguém, sem banheiro, iluminação adequada, nenhuma segurança e nada aos nossos adolescentes e professores. E quando falo de segurança, não me refiro aos policiais nas escolas e sim à estrutura, com muitos casos de tetos que correm o risco de cair, por exemplo. Imagine os professores ficarem um período de quatro horas e meia, com 55 alunos numa sala de aula, sozinho, passa a ter tendência a ficar doente e os alunos nem têm professor substituto. Esse cenário é grave. Além disso, há cadeiras estragadas, lousas quebradas, ambientes sem ventilação, tudo isso somado ao baixo salário dos professores, cortaram o convênio do Hospital São Bernardo, concentrando a demanda ao Hospital do Servidor na Capital. Ao chegar lá, dá dó, pois há professores de todo o Estado, que percorrem 600 quilômetros, para serem atendidos.

Em São Bernardo, o prefeito Luiz Marinho (PT) já prepara seu candidato à sucessão. O que espera para a disputa da eleição municipal?

Estou com a expectativa boa e acredito que em São Bernardo houve um avanço muito grande no governo do prefeito Luiz Marinho e acredito na sucessão. Eu apoio o Tarcisio Secoli (secretário de Serviços Urbanos e um dos cotados pelo PT para ser o candidato a prefeito), que é um companheiro muito bom e tem qualificação muito boa de militante.

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