Deputada propõe autonomia financeira para TV Cultura

23/10/2015

Eu Quero a Cultura Viva

A Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) recebeu, na tarde desta quinta-feira, 22, uma audiência pública que tratou da grave crise enfrentada pela TV Cultura. O debate contou com a presença de representantes dos Sindicatos dos Jornalistas e dos Radialistas, além de membros do Movimento “Eu Quero a Cultura Viva”. A Fundação Padre Anchieta, mantenedora da emissora, foi representada na discussão pelo diretor de relações institucionais, Jorge Damião.

A audiência foi uma iniciativa da líder da Minoria na Casa, Beth Sahão (PT), que, ao fim do debate, comprometeu-se a lutar para que a TV Cultura tenha autonomia financeira, com dotação orçamentária própria. “Vamos apresentar emendas ao Orçamento Estadual e também cobrar que sejam feitos repasses à emissora. Mas não apenas isso. Vamos exigir que sejam verbas carimbadas, para a TV Cultura investir em produções próprias, modernizar seus equipamentos e valorizar seus funcionários. Pois, atualmente, não há uma rubrica sequer destinada a essa finalidade.”, afirmou a parlamentar.

Ela avalia que, com a autonomia financeira, a TV Cultura terá condições de atuar com independência, em especial na área jornalística. Este ponto, aliás, foi um dos mais criticados pelas pessoas que participaram das discussões, ao comentarem sobre o processo de desmonte sofrido pelo canal, ao longo dos últimos dez anos. O jornalismo foi classificado de “chapa branca” por diversos debatedores, indicando um alinhamento entre os conteúdos veiculados nos telejornais e os interesses do governo paulista, capitaneado pelo PSDB.

A própria organizadora da audiência, ao concluir sua fala, enfatizou a necessidade de se intensificar as discussões sobre o jornalismo produzido pela TV Cultura. “É claro que temos de debater isso respeitando a liberdade de expressão. Porém, é notório que alguns programas da emissora assumiram um tom claramente panfletário”, afirmou.

A dirigente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo Ana Flávia Marx fez coro a essa necessidade. “São Paulo é um Estado plural. Se a TV pública não conseguir refletir essa pluralidade em sua programação, ela não terá cumprido com seu papel”, afirmou, para, em seguida, entregar a Damião um abaixo-assinado com mais de 120 mil assinaturas, coletadas pelo Movimento “Eu Quero a Cultura Viva”.

O documento cobra uma atitude do Governo de São Paulo, no sentido de acabar com o processo de desmantelamento a que a TV Cultura vem sendo submetida nos últimos anos, situação que resultou na demissão de mais de 800 funcionários, no período, além da extinção de programas aclamados como Zoom, Grandes Momentos do Esporte, Vitrine, Cocoricó e Bem Brasil.

A precarização das relações de trabalho, o sucateamento físico da emissora e a própria terceirização da programação também são pontos criticados pelos participantes do debate. Beth aos presentes que organizem uma comissão, a fim de acompanharem os debates do Orçamento Estadual. Ela acredita que a pressão do movimento organizado será fundamental para garantir recursos para a TV Cultura.

da assessoria da dep. Beth Sahão

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