Deputados do PT pressionam secretário de Transportes que admite mais panes na CPTM em 2012

18/04/2012

Na Assembleia Legislativa

No dia em que ocorreu a 33ª pane do ano na CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos), o secretário estadual de Tansportes Metropolitanos, Jurandir Fernandes, esteve na reunião da Comissão de Transportes da Assembleia Legislativa para falar sobre o assunto, nesta quarta-feira (18/4).

O secretário, em sua apresentação inicial, fez um balanço da evolução da rede ferroviária. Falou que em 2001 foi convidado por Geraldo Alckmin a percorrer um trajeto de trem e ficou chocado com a precariedade, “portas abertas e tábuas no chão”. Vale lembrar que o PSDB governa o Estado de São Paulo desde 1995.

Jurandir Fernandes também admitiu o corte nos investimentos da Companhia em 2011. De acordo com ele, isso se deve ao fato de ser primeiro ano de governo, apesar de o anterior também ter sido do PSDB, e a obras que aguardam licença ambiental.

Mais uma vez, ressaltou o expressivo aumento do número de passageiros. O deputado do PT Adriano Diogo lembrou que essa vem sendo uma desculpa bastante utilizada pelo governo para explicar as panes e perguntou: “O governo não tem um setor de planejamento para se preparar para o aumento da demanda?”

O deputado petista também questionou Jurandir Fernandes sobre os adesivos de estrelas vermelhas colados em ônibus da EMTU que saíram de Diadema com o valor tarifa, o que vincularia ao PT o aumento da passagem.

Na semana passada, a EMTU e o governo do Estado tiveram uma derrota na Justiça, que negou recurso e proibiu a cobrança pela integração entre os ônibus municipais e os terminais de trólebus de Diadema e Piraporinha.

O deputado do PT Antonio Mentor, que presidia a Comissão, solicitou ao secretário que pedisse a retirada imediata dos adesivos. O deputado Gerson Bittencourt sugeriu que seja aberto um procedimento investigatório, já que a secretaria tem que fiscalizar o trabalho da concessionária.

O líder da Bancada do PT, deputado Alencar Santana, citou metas que passaram por muitos PPAs, mas que nunca se concretizaram, como o trem chegando ao aeroporto. Também falou sobre a vistoria que fez à estação de Francisco Morato, que tem obras paradas há quatro anos. “As pessoas têm que atravessar o trilho do trem para subir na plataforma”, relatou Alencar. O secretário desconhecia o fato.

Na mesma linha o deputado Gerson Bittencourt cobrou a falta de cumprimento das metas dos PPAs, a execução dos planejamentos da CPTM e do Metrô e as ações divulgadas pelo governo e mencionadas nas LDOs – Leis de Diretrizes Orçamentárias e LOAS – Leis de Orçamentos Anuais.

Panes x Eventos Notáveis

O secretário Jurandir Fernandes minimizou as críticas e cobranças alegando pelos critérios da CPTM neste ano ocorreram apenas 14 panes e não 33 como tem contabilizado a imprensa. “Hoje “nós tivemos um ‘evento notável’, pela classificação da CPTM uma pane é quando há uma paralisação por mais de 20 minutos e quando é acionado o sistema paese, ou seja, os passageiros são transferidos para ônibus”, justificou Jurandir.

Entretanto, ao ser questionado pelos deputados do PT, o secretário disse que o número de panes na CPTM deverá superar em 2012 a média dos dois anos anteriores. “Em 2010, 49 panes na CPTM. Em 2011, houve 42 panes. Neste ano de 2012, até 10 de abril, já houve 14 panes. Se eu levar isso até o fim do ano, vamos chegar com 51 panes”, disse aos deputados. Informações da imprensa já contabilizam, neste ano, 33 panes.

Ainda na avaliação do secretário a CPTM é responsável por 2.700 viagens e transporta cerca de 350 a 400mil pessoas/dia e, diante desses dados, ele “considera passíveis os problemas acontecidos, diante da quantidade de viagens.”

Recursos Federais

Indagado sobre os recursos do governo federal para as ações de mobilidade urbana, o secretário informou que do PAC Mobilidade São Paulo recebeu R$ 400 milhões e embora não quantificou citou também o Rodoanel.

Jurandir excluiu dessa contabilidade os recursos que o governo do Estado tem obtido a partir de financiamento de organismos internacionais, que tem o governo federal como avalista e também do BNDES.

Atrasos

A morosidade do governo de São Paulo na execução dos projetos anunciados e elencados no planejamento foi justificada por Jurandir pela troca de equipes dos governos do PSDB, questões ambientais e os processos licitatórios. Quando a falta de projeção do aumento da demanda, o secretário diz que os planejamentos anteriores foram pessimistas e não consideraram o aumento da demanda.

De imediatos, os deputados Alencar Santana e Gerson Bittencourt foram incisivos nos questionamentos quanto a falta de planejamento adequado e execução do mesmo na gestão do PSDB em São Paulo.

Ao final, Gerson Bittencourt, em entrevista à imprensa, apontou também como medidas para alterar a atual situação a necessidade dos gestores terem mais ousadia e criatividade. “É necessário fazer o mais rápido possível ações integradas como os municípios da região metropolitana, integrar os sistemas de transportes coletivos e implementar bilhete único”, sugeriu.

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