Deputados petistas repudiam ausência do presidente do Metrô em audiência na Alesp

30/01/2007 19:50:00

A bancada de deputados estaduais do PT repudiou o não comparecimento do presidente do Metrô, Luiz Carlos Frayze David, em audiência pública na Assembléia Legislativa nesta terça-feira (30-01). Os deputados queriam ouvir David sobre o acidente da linha 4 (Amarela) do último dia 12/01, em que morreram 7 pessoas.

O presidente do Metrô, que havia confirmado presença, encaminhou no dia anterior a audiência um ofício aos membros da comissão conjunta (Serviços e Obras Públicas e a de Transportes e Comunicações) que acompanha as investigações sobre o desabamento da linha 4, informando que não iria comparecer à audiência. A decisão provocou a reação imediata dos partidos de oposição e acalorou os debates e a disposição de apurar o acidente, enquanto os governistas tentam barrar as investigações.

As comissões deverão discutir, entre outros pontos, detalhes sobre a contratação do Consórcio Via Amarela para a execução das obras. No próximo dia 1º, os parlamentares devem voltar a se reunir para uma reunião de trabalho. A Comissão mista composta por 23 deputados, funcionará com um quorum mínimo de 11 parlamentares. Ficou decidido ainda que a Comissão terá como relator final o deputado peefelista Edmir Cheddid.

De acordo com os petistas, os novos acontecimentos, como as investigações do Ministério Público de que o gerente de construção da linha 4, Marco Antonio Buoncompagno teria participado de um esquema ilegal de contratações públicas na gestão do então governador Orestes Quércia, voltou ao serviço público pelas mãos do PSDB e era encarregado de fiscalizar as obras da linha. Além do relatório da CIPA, teriam motivado o presidente do Metrô a não comparecer.

Para a Promotoria, o gerente foi “favorecido” pela Andrade Gutierrez nos anos 90. Buoncompagno foi nomeado na gestão do governador Geraldo Alckmin (PSDB) para controlar a construção da linha 4-amarela. Ele era responsável por comandar os trabalhos de gerenciamento e de fiscalização da construção da linha. Passavam por ele quase todas as decisões do Estado em relação à obra.

Riscos aos trabalhadores

Segundo a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes, a Cipa, há primeiro relatório de um engenheiro do Metrô de São Paulo sobre as causas do desabamento, nas obras da Linha Amarela apontou que as empreiteiras sabiam da instabilidade do terreno e mesmo assim não interromperam o trabalho e nem fizeram obras de contenção a tempo.

Segundo o engenheiro Cyro Mourão Filho, que mostrou às autoridades o documento apresentado 12 dias após o acidente, o que houve foi “uma sucessão, de falhas de procedimento”, disse ele ao Jornal Nacional, da Rede Globo, que teve acesso ao documento.
O relatório apontou que na véspera do deslizamento, na quinta-feira, os engenheiros do Metrô foram informados por um engenheiro do consórcio que as paredes do túnel estavam envergando, pressionadas pelo terreno. Decidiram então que o túnel seria reforçado com tirantes, pinos de aço de cerca de três metros de comprimento. A instalação dos pinos começou no mesmo dia.

Quando a decisão de reforçar o túnel embaixo foi tomada, ainda não se sabia qual a causa da movimentação do terreno, o que ainda não se sabe. Mas a obra não parou. Enquanto uma equipe fortalecia o túnel, outra frente de trabalho continuava abrindo caminho na rocha com dinamite. Às 11 horas de sexta-feira, dia do acidente, que acabaria com sete mortes, os fiscais do Metrô souberam de uma detonação de explosivos, feita horas antes, a poucos metros de onde o túnel apresentava problemas.

Jornal Nacional

Ao Jornal Nacional, o presidente do Instituto Brasileiro do Concreto, Paulo Helene, disse ser “evidente” que as explosões causaram vibrações na estrutura, “um efeito dinâmico e isso pode ser um fator agravante. Isso é um fator agravante do colapso”, afirmou.

Ainda na sexta pela manhã, os fiscais constataram que a furação não estava pronta e os pinos de aço não tinham sido colocados. Pouco mais de três horas depois o túnel ruiu. Momentos antes do desmoronamento, placas de concreto se desprenderam do teto do túnel e, em seqüência, houve a ruptura do concreto que levaria o poço abaixo. O relatório informou, no entanto, que na sexta-feira nenhuma anomalia chamou a atenção dos fiscais do Metrô. Não havia fissuras nas paredes nem outros sinais de risco.

Contudo, um operário do consórcio, ouvido no dia do desabamento, disse que na noite anterior recebeu ordem para maquiar rachaduras no túnel. “O túnel estava trincado e foi pedido para ter uma cobertura, na rachadura, para que a fiscalização não percebesse”, contou o operário.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.