Deputados questionam parceria da TV Cultura com jornal Folha de São Paulo

31/05/2012

Sem transparência

A falta de transparência na parceria entre a TV Cultura e o jornal Folha de São Paulo foi um dos temas centrais da reunião da Comissão de Educação que contou com a presença do presidente da Fundação Padre Anchieta, João Sayad.

O presidente da Comissão, deputado Simão Pedro, questionou Sayad sobre a cessão de um espaço importante da programação da emissora pública a um jornal privado. Sayad se limitou a dizer: “A TV Folha é uma decisão ousada, mas que traz audiência para a TV Cultura”. E, apesar de a Cultura comprar esse programa da Folha, insistiu: “ A TV Folha não ganha audiência conosco, nós é que ganhamos com ela”.

Essa afirmação foi criticada por todos os representantes sindicais e de associações ligadas à mídia que estavam presentes. João Brant, do coletivo Intervozes, falou sobre a perda da qualidade da produção própria e disse que a TV Folha é símbolo desse processo. “O jornalismo é a alma da TV pública. Sua terceirização é questão séria, principalmente quando se une ao jornalismo impresso”.

Brant apontou que a opção pela Folha foi sem transparência e em detrimento de outras opções. “A TV pública está sendo usada para estratégia comercial de uma empresa privada por meio de um acordo pouco transparente e com benefícios duvidosos para a população”. O representante do Intervozes ainda apresentou levantamento que mostra que nas cinco primeiras semanas da TV Folha houve queda de audiência.

João Augusto Camargo, presidente do Sindicato dos Jornalistas, lembrou que o jornalismo da TV Cultura poderia ser uma experiência de criação que fugisse das regras de mercado.

Renata Mielo, do Centro de Estudos Barão de Itararé, questionou o caráter da parceria e a estratégia da TV Cultura. Também colocou que sua tentativa de diálogo com o conselho curador da emissora foi frustrada. “A emissora diz que preza pela diversidade e no processo de reestruturação cogitou acabar com o programa Manos e Minas”, afirmou.

Essa questão também foi levantada pela deputada Leci Brandão, que classificou essa atitude como racista.

O deputado do PT João Paulo Rillo falou sobre a fragilidade dos argumentos de Sayad na defesa da parceria com a Folha. “É porque não tem defesa”. E acrescentou: “Isso porque quem comanda o Estado de São Paulo tem essa visão de comunicação. Quem regula é o mercado. Sou pessimista com relação ao futuro da TV Cultura como ela está.”.

Sayad também foi questionado com relação às demissões no chamado “processo de reestruturação”. A todos os questionamentos, sua resposta era: “Você está mal informado”.

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