Deputados vão às ruas contra fim da aposentadoria

05/04/2017

CARA A CARA

Crédito: Katia Passos

Deputados conversam com população sobre desmonte dos direitos trabalhistas

Deputados estaduais do PT panfletaram material sobre fim da aposentadoria proposto pelo governo Temer. Também dialogaram com a população sobre os males da terceirização aprovada recentemente pelo mesmo governo golpista.

As ruas, o corpo a corpo e diálogo com a população sempre marcaram o jeito de ser das lideranças e militância do Partido dos Trabalhadores, que acredita que política se faz assim, de perto. Diante de um cenário em que a população brasileira recebe nocautes diários de seus direitos pelo governo golpista de Temer, a luta e esclarecimentos se fazem cada vez mais necessários.

Por isso na manhã desta quarta-feira (5) os deputados estaduais do PT saíram de seus gabinetes na Assembleia Legislativa paulista e foram até a Praça Ramos, na frente do Teatro Municipal, no Centro de São Paulo, para panfletar material que explica o desmonte da previdência social. Ou, antes e acima disso: para falar à população o que ela perde com a reforma da previdência (confira mudanças maléficas ao fim da matéria).

O líder da bancada do PT no Legislativo paulista, deputado estadual Alencar Santana Braga, destacou que a reforma da previdência atinge muitas categorias trabalhadoras e mencionou o desemprego no país, que atinge o ápice durante o governo Temer.

“Como imaginar que o trabalhador do comércio, das fábricas, motoristas de ônibus, vão conseguir trabalhar até os 65 anos de forma ininterrupta para poder ter direito à aposentaria? É como se não tivesse desemprego, porque, para ter a aposentadoria integral, teria que começar a trabalhar com 16 anos e trabalhar até os 49 anos. Hoje mesmo tem cerca de 13 milhões de pessoas desempregadas por causa desse governo! O governo PSDB, PMDB, que financiam essa reforma, fez 13 milhões de pessoas desempregadas. Imagine uma pessoa ficar desempregada com 55, com 60 anos. Será que é fácil para ela voltar ao mercado de trabalho?”, critica Alencar Santana Braga.

Deputados do PT em luta por meio do diálogo

Chamando as mulheres à luta – Na atividade a deputada Ana do Carmo dirigiu-se às mulheres, pedindo sua atenção: “Quero dizer para toda mulheres do nosso Brasil, e para mulheres paulistas, que é importante prestarmos atenção. As mulheres são uma parte da população que mais vai perder com a reforma da previdência. Este governo golpista não tem compromisso com a classe trabalhadora e direitos dos trabalhadores não são brincadeira! Muitos morreram nessa luta, desde a época da ditadura, para que a gente pudesse ter alguns direitos. Ainda falta muito e o pouco que a gente tem o governo golpista ainda quer tirar. Portanto a população ainda precisa se mobilizar”, expôs a deputada.

Chamado para a greve geral em 28 de abril – O deputado Enio Tatto, também presente, esclarece que o que o governo chama de reforma na verdade é um desmonte da previdência. E convoca militância, simpatizantes e cidadãos a participarem da grande greve geral de 28 de abril: “Dia 28 de abril é um dia muito importante porque todos sindicatos, a maioria dos partidos de esquerda, estão organizando uma grande greve geral no país, vamos parar o país para não deixar acontecer o que o governo golpista está querendo fazer. O que eles estão fazendo não vai atingir o próprio Temer, que se aposentou com 55 anos, ganhando mais de R$35 mil por mês. Vai atingir mais de 80% da população, vai atingir as mulheres, que vão ter que trabalhar pelo menos 5 anos a mais, para chegar aos 65 anos. vai atingir o trabalhador rural, que vai ter que contribuir mensalmente para poder se aposentar. Isso que eles estão fazendo é uma tragédia para a população”, complementa Tatto.

Precisamos nos mexer! – O deputado Marcos Martins aproveitou a atividade para criticar o governo reacionário que é a favor do desmonte dos direitos trabalhistas.
“O governo golpista impede a população de se aposentar, tirando direito dos trabalhadores. Precisamos nos mexer. O projeto está no Congresso para ser votado, num congresso reacionário. E nós não podemos deixar, como se estivéssemos distantes, como se não fôssemos ser atingidos. Este é o projeto da “camarilha” que tomou o poder do país e não quer mais que o trabalhador viva.

Fortalecimento da classe trabalhadora – O deputado João Paulo Rillo colocou-se a favor das classes trabalhadoras, criticando com veemência as ações do governo golpista contra elas:
“Temos que fortalecer a política de habitação, política agrária, enfim, fortalecimento daqueles que constroem o Brasil. Michel Temer representa a canalha brasileira, os ladrões do Brasil, a elite perversa que quer crucificar a classe trabalhadora. Somos deputados estaduais eleitos pelo povo. Viemos conversar com os cidadãos. Retornamos às ruas para conversar com vocês sobre a reforma da previdência, essa reforma que vai impedir que os jovens se aposentem, que vai dificultar a aposentadoria daqueles que já estão no mercado de trabalho. É muito importante você resistir junto conosco a esse golpe na classe trabalhadora”, colocou o Rillo, convidando os passantes a se juntarem à atividade.

Terceirização de mãos dadas com precarização do trabalho -O deputado Carlos Neder aproveitou a oportunidade para falar sobre terceirização, mais um projeto do governo, agora sancionado, que vai contra a classe trabalhadora.
“O que vamos ver a partir de agora é uma enorme tendência no Brasil todo de se passar por cima dos direitos previdenciários e sociais dos trabalhadores. Os trabalhadores vão ter que recorrer ao poder Judiciário para ver se de alguma maneira preservam seus direitos que estão escritos no contrato de trabalho. Isso vai agravar o desemprego que vem sendo crescente no país. Eles dizem que não, que os empresários vão investir mais, vão contratar mais trabalhadores, sabendo que agora são contratos casa vez mais precarizados. No nosso entendimento a quebra dos direitos trabalhistas aumenta a terceirização inclusive nas áreas mais importantes, fazendo com que o trabalhador fique mais fragilizado, tenha menos respeito a seus direitos e portanto mais sujeito à diminuição de seu salário e ao desemprego”, concluiu Neder.

Saudades do desenvolvimento visto nos tempos de Lula – Já o deputado José Zico Prado mandou um recado àqueles que preferem permanecer alheio à discussão do fim da aposentadoria e da terceirização e criticou à imprensa que apoia e mantém o golpe:

“Eu acho que tem gente que tem medo de entender a realidade que o Brasil está vivendo hoje. Precisamos ter coragem de ver o que está acontecendo, não ficar só ouvindo a rede Globo, a Bandeirantes. Os meios de comunicação não são nós, eles têm lado, sabe o que querem. Quero que nós tenhamos orgulho de ser brasileiros. Foi assim no governo do Lula. Todos nós tínhamos orgulho de ser brasileiros, de estar em um país em que havia desenvolvimento, em que o desemprego era de 4%. A Bancada do PT está na rua e queremos fazer isso cada vez mais, para que o povo se politize”, finalizou Zico.

Mudanças – para pior! – que vêm com a reforma

– Idade mínima da aposentadoria
A idade mínima passa a ser 65 anos para homens e mulheres. Em alguns locais do Brasil a expectativa de vida é inferior a esta idade, ou seja, muitos morrerão sem receber aposentadoria.

– Aposentadoria integral por tempo de contribuição
Reforma da Previdência vai exigir que as pessoas trabalhem 49 anos para se aposentar. Um desestímulo para as pessoas contribuírem.

– Professores
Com a reforma, professores, que tinham direito de se aposentarem 5 anos mais cedo que demais categorias, passam a ter que trabalhar mais 24 anos.

– Trabalhadores rurais
A mudança pode provocar êxodo rural0, principalmente na agricultura familiar, já que o trabalho rural provoca maior desgaste do trabalhador.

– Jovens
Idade mínima de 65 anos, somada a ininterruptos 49 anos de contribuição, faz com que trabalhadores precisem ingressar mais cedo no mercado de trabalho e permaneçam durante toda sua vida empregados, correndo risco de morrer sem receber a aposentadoria.

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