Desafio: como governar sob as variantes previstas para o futuro

15/03/2012

Seminário

Crédito: Cesar Ogata

O sucesso do modo petista de governar exemplificado pelas iniciativas apresentadas pelos prefeitos nos dois dias do seminário tem como desafio, daqui para frente, variantes econômicas e sociais que o futuro projeta. Esta foi a abordagem dada pelo convidado da mesa Inclusão Social, Direitos Humanos e Segurança, Márcio Pochman.

Em sua análise, o planejamento das gestões públicas para o futuro tem que ser pautado prevendo questões como redução da mortalidade, mudança na estrutura econômica e a mudança no mundo do trabalho que deixa de ser material e, cada vez mais, avança para o modo portátil.
Com a redução demográfica e o conseqüente crescimento da população da terceira idade, os governos têm que estar preparado para a demanda que esta faixa vai gerar. Na economia, a principal mudança é a consolidação da nova classe trabalhadora de serviços, que ao contrário da classe trabalhadora industrial irá precisar de educação (ensino) por todo o período da vida. E no mundo do trabalho, a mudança é que o trabalho deixa de ser material e, cada vez mais, avança para o modo portátil, que por meio das novas tecnologias a pessoa pode exercer suas funções em qualquer lugar.

O questionamento de Pochman foi “como vamos fazer um modo de governar sobre estas variantes?”.

Experiências bem-sucedidas

A mesa de debates “Inclusão Social, Direitos Humanos e Segurança”, mediada pelo deputado Antonio Mentor, contou também com a participação dos prefeitos de Hortolândia (Ângelo Perugini), Motuca (João Fascineli), Porto Ferreira (Mauricio Rasi) e Iepê (Francisco Célio de Mello), que contaram sobre seus projetos exitosos.

O prefeito Francisco Célio de Mello (Iepê) apresentou seu projeto na área de inclusão digital, explicando que “quando assumi a prefeitura percebi que as pessoas iam a vários departamentos buscando projetos e benefícios. Percebi que precisava de uma ferramenta que agrupasse isso tudo. Um mecanismo de ter essas informações no mesmo lugar. Optamos pela internet. Usamos o nosso site para fazer isso. Criamos um espaço em nosso portal para os serviços públicos. Um relatório, com transparência”.

O prefeito conta que as pessoas podem, inclusive, visualizar informações administrativas e de gestão como agendamento de carros e ambulâncias, por exemplo. “O cidadão pode acessar e ver o horário que o carro vai sair e para onde vai”. O mesmo vale com o sistema de compras. O usuário pode acessar e checar o andamento da compra dos materiais ou contratação dos serviços.

Internet gratuita para toda a cidade

João Fascineli, de Motuca, conta que a sua cidade era muito influenciada pelo coronelismo. Segundo ele, a única empresa do município, que era uma usina, foi fechada pelo PSDB. “Chegaram a achar que Motuca se tornaria uma cidade fantasma. Muitas pessoas começaram a ir embora de lá e tinha muitas casas vazias. Com muita dificuldade nos elegemos em 2008 e, então, começamos a ir atrás de empresas para se instalarem na cidade”. Segundo Fascineli, a administração começou um projeto de cursos de capacitação de costura. “Várias fábricas de pequeno e médio porte começaram a ser abertas na cidade. Conseguimos alavancar o desenvolvimento econômico da cidade”, explicou.

O projeto de desenvolvimento e crescimento de Motuca não parou aí. O prefeito implantou internet gratuita em toda a cidade. O prefeito ressaltou que “até mesmo na zona rural. Quem quiser acessar é de graça. Esse foi um dos maiores projetos de inclusão social de uma cidade pequena. Colocamos lousas digitais e distribuímos notebooks para os alunos e professores e instalamos câmeras de segurança na cidade”.

Projetos voltados aos idosos e às crianças

Maurício Rasi, de Porto Ferreira, implantou dois projetos importantes voltados para os segmentos de idosos e de crianças e adolescentes. “O nosso idoso era desrespeitado. Hoje, eles têm médicos e dentistas para atendê-los. Criamos também o projeto Idoso Legal, com ônibus que busca os idosos para levá-los a pontos da cidade que oferecem ginástica e hidroginástica. O comércio está aderindo ao selo do projeto oferecendo desconto aos idosos que comprarem naquele estabelecimento”, salientou.

O prefeito conta que inaugurou a Casa do Educador, voltada ao atendimento das crianças e adolescentes. Segundo ele, “havia um déficit de aprendizagem. Investigamos e descobrimos que a maioria era vitima de violência sexual e abusos. Criamos, então, uma Rede Protetora, capacitando profissionais de diversas áreas que têm contato com essas crianças e adolescentes. Temos casos de êxito com crianças que estão se recuperando”. Ele ressalta também um grande problema com a drogadição. Tenho acompanhado de perto as escolas. Grande parte dos professores não tem a sensibilidade de atuar nessa causa. Mas estamos nos empenhando nisso”.

Hortolândia

O prefeito de Hortolândia, Ângelo Perugini, contou sua experiência na transformação da cidade na área de segurança pública e desenvolvimento. Segundo o prefeito, em 2004, com 200 mil habitantes, Hortolândia tinha índices altíssimos de violência, desemprego, favelas, falta de tratamento de esgoto, falta de asfalto, desemprego. Ele explicou que “quando assumimos, era a segunda cidade mais violenta do estado de São Paulo, com cinco complexos penitenciários e mais de dez mil presos. Não tínhamos nada na cidade. Tudo que precisávamos tínhamos que recorrer às vizinhas, como Campinas. Queríamos nossa independência. E conseguimos. Somos uma das cidades que mais cresce no país”.

O prefeito focou a administração inicialmente na participação popular e desenvolvimento, fugindo da violência. “Fizemos asfalto em quase toda a cidade, sem cobrar nada dos moradores. Tinha sete mil famílias com nome sujo no SPC, que nós pagamos as dívidas para quitarem seus débitos, não perderem seus imóveis . Recuperamos córregos, construímos parques para as famílias. Construímos a estação de tratamento de esgoto e a rede, para acabar com as fossas”. Além das penitenciárias, o Governo do Estado queria abrir mais uma Febem na cidade. “Fomos para as ruas, lutamos e não permitimos a instalação”, contou.

Segundo o prefeito, seu grande desejo era dar sentido ao nome da cidade. “O nome é tão bonito, mas as pessoas lembravam de Hortolândia de uma forma muito ruim”. Com tantas ações, unidas à filosofia comunitária, a violência caiu. “Nosso novo modelo de ciclo de segurança da cidade foi o de envolvimento da comunidade. A comunidade e a Guarda Municipal discutem os problemas, criam estratégias de ação, analisam resultados e definem diretrizes de ação. Foi assim que conseguimos diminuir a violência em Hortolândia. As pessoas sabem onde estão os problemas e se estivermos perto delas conseguimos resolvê-los”, explicou. (com informações do Linha Direta)

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