É preciso atitude no transporte em SP

12/06/2012

Especialistas destacam

É preciso atitude no transporte em SP, destacam especialistas

A mobilidade urbana na Baixada Santista foi o tema do segundo encontro do Ciclo de Debates promovido pela Liderança do PT. Na segunda-feira (18/6), será a vez da Região do ABC debater o tema, às 19 horas, na Câmara Municipal de Santo André

A Baixada Santista é a primeira região metropolitana instituída oficialmente no Estado, em 1996. Em tese, o planejamento local das políticas públicas integradas deveria estar bem encaminhado. No entanto, para participantes do segundo encontro do Ciclo de Debates sobre Mobilidade Urbana e Transporte Público no Estado, ocorrido ontem, em Santos, essa parece ser uma preocupação recente de Estado, prefeitos e gestores metropolitanos. Tal percepção se deve, afirmam, à falta de investimentos em obras viárias e de ações inovadoras para melhorar o deslocamento de pessoas. Também se comentou que o Veículo Leve sobre Trilhos (VLT) e o projeto do Bilhete Único Metropolitano ainda não saíram do papel. O túnel zonas Leste-Noroeste, em Santos, e a remodelação da entrada da Cidade também não têm concretização prevista.

Realizado na Câmara Municipal, nesta segunda-feira (11/6), o encontro foi organizado pela deputada estadual Telma de Souza, com apoio da Liderança do PT na Assembleia Legislativa.

A arquiteta Lenimar Rios, ex-secretária de Planejamento de Santos, menciona que a Baixada tem condições de utilizar os rios para a travessia de passageiros entre as cidades. A especialista ressalta que uma das saídas para melhorar a mobilidade urbana é reduzir a necessidade de grandes deslocamentos, planejando-se a melhor distribuição dos empregos e dos equipamentos de educação, saúde e cultura. Outras consistem em melhorar o sistema público de transporte e criar sistemas integrados sobre trilhos, rodovias e ciclovias. “Temos órgãos metropolitanos e uma experiência acumulada, mas me parece que os prefeitos ainda não atingiram maturidade suficiente para encarar a necessidade de dialogar sobre planejamento”, afirma.

Para a arquiteta, a bicicleta é considerada por muitos a solução para todos os problemas de deslocamento, mas, em sua opinião, o uso desse meio de transporte é uma alternativa somente para distâncias curtas e médias.

Lenimar Rios entende que muitos trabalhadores preferem sair de casa para o local de ofício de carro para fugir da ineficiência do transporte público. “Andar de carro é um verdadeiro calvário, mas andar de ônibus é pior ainda”, desabafa a arquiteta.

Emplogação

Outro convidado do evento, o diretor de Planejamento Estratégico e Controle da Codesp, Renato Ferreira Barco, discorreu sobre o projeto de exploração do complexo hidroviário da Baixada Santista, ainda em andamento. Esse trabalho tem como objetivo verificar a utilização dos rios locais para facilitar o escoamento de cargas no Porto de Santos. A iniciativa está sendo financiada pela Secretaria Especial de Portos, do Governo Federal. Mas, dos cinco trechos analisados por técnicos da estatal, foi identificado que dois deles têm vocação para o transporte de passageiros e turistas (Foz do Largo Pompeba a São Vicente e do Largo São Vicente a outros rios). “As prefeituras e a Agem (Agência Metropolitanada Baixada Santista) estão interessadas nesse projeto. Quando todos querem, a possibilidade de essa proposta sair é muito grande”, revela.

União e força

Na visão de Telma de Souza, outro problema na Baixada Santista é a necessidade de maior integração entre prefeituras, Estado e União para viabilizar grandes projetos. Ela explica que a solução de históricos gargalos para melhorar a mobilidade urbana regional, como a ligação seca (túnel) Santos-Guarujá e a instalação de um aeroporto regional, necessita dessa união. “Por disputa política ou por visão acanhada, essa parceria não evoluiu. Não podemos aceitar uma discussão de mais de dez anos para implantar o primeiro trecho do VLT”, critica. Em rodovia, 3 vezes mais caminhões O número de veículos comerciais que circulam diariamente pela Rodovia Cônego Domênico Rangoni (sentido Via Anchieta-Polo Industrial de Cubatão) cresceu 211% em dois anos.

Em 2009, eram 2.987. Em 2001, 9.301. Esses dados ajudam a explicar os congestionamentos cada vez mais frequentes naquele trecho – em média, 3,5 horas diárias de lentidão. As informações foram apresentadas ontem pelo vice coordenador da Comissão de Logística da direção regional de Cubatão do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Armando Bezerra Leite. Outro fator que contribui para congestionamentos é a instalação de novas dez empresas ligadas a atividades portuárias ao longo da Cônego Domênico Rangoni, nos últimos cinco anos. “A gente sempre está pesquisando no site da (concessionária) Ecovias para saber as condições dessa via. São raros os momentos sem lentidão”, diz ele, que foi tenente-coronel da PM e comandante da corporação, em Santos.

Deficiência

Na visão do representante da Ciesp de Cubatão, a morosidade na rodovia pode inviabilizar resgates em situações de urgência. Além disso, destaca como outro problema a deficiência na fiscalização e na disciplina do trânsito. “Nem sempre a estrutura da Polícia Rodoviária é a suficiente”, constata.

fonte: jornal A Tribuna

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