É preciso pensar o desenvolvimento urbano e planejar o transporte, apontam especialistas

28/05/2012

Mobilidade urbana

Na segunda mesa do seminário Mobilidade Urbana e transportes públicos no Estado de São Paulo, promovido pela Bancada do PT na Assembleia Legislativa, nesta segunda-feira (28/5), os debatedores apresentaram propostas para melhorar a mobilidade na Região Metropolitana de São Paulo.

Coordenada pelo deputado Donisete Braga, a mesa contou com a participação do professor da USP, Jaime Weismman, do ex-ministro da Educação, Fernando Haddad, o deputado federal Carlos Zarattini e o líder da Bancada do PT , deputado Alencar Santana Braga.

Para o líder petista, o tema do transporte é preocupação recorrente da população porque afeta diretamente suas vidas. “É um tema que vai estar na pauta ainda por muitos anos. A solução que nós esperamos não é imediata, mas, no mínimo, se os seguidos governos tucanos no Estado tivessem cumprido suas metas, estabelecidas no Planos Plurianuais, a situação seria bem diferente do atual caos que vivemos”.

“A questão do transporte em São Paulo envolve todos os trabalhadores, empregadores e famílias”, enfatizou Fernando Haddad. Para ele, o principal agravante da situação é a falta de planejamento urbano: “hoje, o deslocamento de emprego migra para a região Sudoeste da cidade – do centro velho para as avenidas Berrini e Chucri Zaidan – e o eixo da moradia não tem outro senão a Zona Leste. Isto porque os bairros estão ficando cada vez mais homogêneos – bairros onde há emprego e bairros para morar – o que aumenta em muito os deslocamentos”.

Abandono dos corredores de ônibus

Um ponto que deve ser destacado, segundo Haddad, foi o abandono dos investimentos em ônibus nos últimos oito anos. “Se os investimentos seguissem o ritmo que estava sendo feito na gestão Marta Suplicy, hoje poderíamos ter entre 250 km e 300 km de corredores de ônibus”, destacou.

Tão importante como os investimentos é preciso ter projeto, porque há recursos como por exemplo os do PAC Mobilidade, defendeu o ex-ministro.
O professor Jaime Weismman afirmou que para se melhorar efetivamente a questão da mobilidade na Região Metropolitana temos que ter como objetivo que, pelo menos, metade dos deslocamentos urbanos sejam feitos por transporte público.

Estudo mostra que esses deslocamentos por transporte públicos vêm caindo ano a ano na cidade de São Paulo. Em 1977, eles representavam 62%, em 1987 baixou pra 56% e em 2007 caiu ainda mais, com índice 44%.

“A solução estaria na implementação de políticas públicas que privilegiem o transporte coletivo em detrimento do transporte individual”, afirmou Jaime.
Como propostas para equacionar o problema, o professor enumerou alguns exemplos, como melhorar a circulação viária, com políticas de restrição à circulação de caminhões e automóveis e ao estacionamento nas vias públicas; políticas de fiscalização, com apreensão de veículos irregulares; políticas de desenvolvimento da autoridade de trânsito, com sistema de monitoramento, treinamento e capacitação de pessoal, modernização e ampliação dos equipamentos; políticas públicas com educação no trânsito para pedestres, ciclistas e motociclistas.

Situação aguda nas regiões metropolitanas

O deputado federal Carlos Zarattini explicou que hoje existe um debate político em relação ao transporte porque vivemos uma situação aguda nas regiões metropolitanas do Estado.

“O transporte nestes locais deveria ser gestionado pelo governo do Estado, mas, ao contrário disso, há apenas promessas que não saem do papel como são os casos do VLT de Santos e do corredor Campinas-Americana”, exemplificou o deputado.
Para ele, temos que fazer o debate de qual é o papel dos governos federal, estadual e municipal e pensar o desenvolvimento urbano e o planejamento em transporte. “Adequar o transporte a essa visão de futuro”, explicou.

Como propostas, o deputado considera fundamental implantar corredores de ônibus, resolver o transporte de cargas, melhorar o transporte de carro e pensar políticas públicas específicas para a questão da bicicleta, da motocicleta e da pessoa com deficiência.

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