Eletropaulo não explica porque não melhora serviços apesar de lucro bilionário

10/08/2011 19:23:00

Auidência pública

 

A indignação da população da Região Metropolitana de São Paulo com os péssimos serviços prestados pela AES Eletropaulo foi exaustivamente exposta por dezenas de moradores ao diretor executivo de operações da empresa, Sidney Simonaggio, em audiência pública na Assembleia Legislativa de São Paulo, nesta quarta-feira (10/8).

A iniciativa dos deputados Geraldo Cruz, Marcos Martins e Isac Reis, pretendia que a Eletropaulo esclarecesse os motivos e apontasse soluções, principalmente, com relação aos constantes cortes no fornecimento de energia elétrica em sua área de concessão. No entanto, Simonaggio praticamente apenas argumentou em sua resposta que a concessionária segue regras definidas pela agência reguladora e que está fazendo investimentos.

“É muito cinismo deste cidadão. Reclamamos aqui da má prestação de serviços que a população paga, e paga caro, do descaso com a manutenção da rede e ele diz que a empresa está fazendo tudo certo”, desabafou Ana Claudia Reis, moradora de Embu.

Para o líder da Bancada do PT, deputado Enio Tatto, não há outra explicação para a enorme quantidade de problemas que vêm afetando os consumidores residenciais e comerciais, a não ser  “o corpo mole para se fazer a manutenção”. “Dinheiro não falta, o lucro da Eletropaulo em 2010 chegou a R$ 1,34 bilhão”, afirmou Tatto, que cobrou do governo do Estado um “pulso mais forte para cobrar da concessionária o cumprimento dos serviços”.

“Esses problemas precisam ter resposta, eles são incontestáveis, basta ver que a população está aqui em massa para reclamar”, defendeu o deputado Marcos Martins.

Seguindo a mesma argumentação, o deputado Isac Reis ressaltou que a questão aflige a vida de toda a população: “Estamos falando de falta de energia, que traz consequências econômicas para os cidadãos como ter eletrodomésticos queimados, perda de alimentos e ainda a segurança pública, quando sabemos que em locais escuros há mais probabilidade de assaltos”.

Prejuízos

O prefeito de Embu, Chico Brito, apresentou pesquisa da Associação Comercial de Embu que  em consulta a 20 empresas do município constatou perdas superiores da R$ 7 milhões/ano e salientou que estas companhias não têm coragem de expandir seus negócios porque não têm confiança de que contaram com energia elétrica.

Também presente a audiência, o diretor executivo do Procon, Paulo Artur, afirmou que a AES Eletropaulo tem mais de quatro mil reclamações no órgão relacionadas, principalmente, com cobranças indevidas, produtos danificados e falta de energia.

O serviço de  atendimento da empresa –  Call Center –  também é alvo de inúmeras outras reclamações.

O diretor de Regulação Técnica e Fiscalização dos Serviços de Energia da Arsesp (Agência Reguladora de Saneamento e Energia do Estado), Aderbal de Arruda Penteado Júnior, também compareceu a audiência e limitou-se a dizer que “as regras do jogo são fixadas pela Aneel (Agência Nacional de energia Elétrica)” e com relação a fiscalização da agência paulista acrescentou que “são apenas oito fiscais para 28 empresas de distribuição de energia elétrica no Estado”.

Deputados querem solução

Não satisfeitos com as respostas da Eletropaulo, da Arsesp e nem do secretário estadual de Energia, José Anibal, que também esteve na Assembleia paulista, no último dia 3, , os deputados do PT, agendaram ida à Aneel, em Brasília, na próxima  semana. A informação foi dada pelo deputado Geraldo Cruz, que explicou as queixas com a Eletropaulo serão levadas ao diretor-geral da agência, Nelson Hübner.

A audiência pública desta quarta-feira foi prestigiada por prefeitos, vereadores, secretários municipais, representantes de entidades comerciais e de moradores dos municípios de Osasco, Taboão da Serra, Embu, Embu-Guaçu, Itapecerica da Serra, Vargem Grande Paulista, Cotia e Juquitiba.

 

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