Em um intervalo de nove meses favela do Moinho registra dois incêndios

17/09/2012

Nova ocorrência

Capital já registrou 68 incêndios desse tipo em 2012 e mais de 500 desde 2005

A cidade de São Paulo amanheceu, nesta segunda-feira (17/9), com mais um incêndio em área ocupada por favela, o 68º do ano. As chamas destruíram casas da favela do Moinho, no bairro Campos Elíseos, região central, e o Corpo de Bombeiros confirmou a morte de uma pessoa na tragédia. A comunidade tem aproximadamente 300 barracos.

Parte do núcleo já havia incendiado em dezembro do ano passado, em 22 de dezembro do ano passado, em uma ocorrência de grandes proporções, que vitimou fatalmente duas pessoas e deixou dezenas de famílias desabrigadas.

A área onde está a favela do Moinho vem sendo alvo de disputas judiciais entre a prefeitura e os moradores nos últimos anos. Enquanto a administração municipal tenta desapropriar a área e utilizá-la para outros fins, os moradores buscam conquistar o direito de permanecer no local.

Sem programa de prevenção

O Corpo de Bombeiros registra mais de 500 incêndios em favelas de São Paulo nos últimos sete anos, após o então prefeito José Serra (PSDB) ter acabado com um programa de prevenção a esse tipo de ocorrência implantado na gestão de sua antecessora na prefeitura, Marta Suplicy (PT).

Sucessor do tucano, o atual prefeito Gilberto Kassab (PSD) teve a chance de reativar o trabalho depois que um projeto de lei foi aprovado pela Câmara Municipal em 2009, mas não tocou a ideia adiante.

Áreas valorizadas são as que mais pegam fogo

Pesquisa da FIPE – Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas – revela que as áreas que possuem mais favelas são as que têm menos incêndios. Os incêndios registrados, este ano, concentram-se em bairros com menor número de favelas, mas que, no entanto, tiveram maior valorização no mercado imobiliário. Por exemplo, a região em que está localizada a favela de São Miguel Paulista, na zona leste, que foi incendiada no final de agosto, teve a maior valorização imobiliária da capital, em apenas dois anos a alta foi de 214%.

Investigação

Uma CPI – Comissão Parlamentar de Inquérito – na Câmara Municipal foi criada em abril para investigar os casos. Há suspeita de que os incêndios sejam criminosos, de maneira a “limpar as áreas” para empreendimentos imobiliários ou obras viárias. Também o Ministério Público de São Paulo investiga se a série de incêndios tem relação com o interesse do setor privado ou do setor público em construir nas áreas de entorno dessas comunidades.

O deputado Simão Pedro também já ocupou a Tribuna na Assembleia Legislativa para pedir que as causas dos incêndios das favelas na capital sejam investigadas de uma forma séria e reponsável. “Isso tudo que vem acontecendo precisa ser apurado em uma ação conjunta da prefeitura e do governo do Estado”, enfatizou o parlamentar petista.

*com informações das Agências

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado.