Especialistas afirmam que faltam planejamento e investimento no transporte em SP

28/05/2012

Debate

A mobilidade urbana no Estado de São Paulo foi tema de um debate que aconteceu nesta segunda-feira (28/5) na Assembleia Legislativa. Especialistas na área apresentaram um diagnóstico da atual situação e propostas que poderiam reverter o quadro.

A falta de planejamento por parte do governo estadual foi apontada por muitos como um dos principais causadores do “apagão nos transportes”. O líder da Bancada do PT, deputado Alencar Santana Braga, destacou o problema. “Os planejamentos não são cumpridos. Há metas que estão no PPA (Plano Plurianual) desde 2000 e que ainda não foram executadas”, afirmou Alencar.

O presidente do Diretório Estadual do PT, deputado Edinho Silva, fez questão de dizer que o debate sobre mobilidade urbana não é eleitoreiro, como insistem os tucanos. “Não é partidarizar o debate. É papel do parlamentar fiscalizar. Quando alertamos sobre o apagão nos transportes estamos defendendo os interesses dos cidadãos paulistas”.

O deputado José Zico Prado concordou: “Essa é uma questão de vida. Quem sai do extremo leste da cidade, pra chegar ao centro, gasta duas hora e vinte, em média. Eu levei esse tempo para chegar aqui. Estamos tratando de um tema sobre que a Região Metropolitana precisa refletir. Não se trata de uma questão eleitoreira. O Metrô nunca tinha batido e esse ano bateu e não foi porque estamos em ano eleitoral.”

O secretário executivo do Ministério do Planejamento, Maurício Muniz, trouxe dados que comprovam a participação efetiva do governo federal no transporte público no Estado e no país. Segundo ele, os investimentos totais de 2007 a 2014 na área para o Estado de São Paulo chegam a R$ 21 bilhões, sendo R$ 1,3 bilhão a fundo perdido.

Só no PAC Mobilidade Urbana, a cidade de São Paulo vai receber R$ 704 milhões a fundo perdido, R$ 1,2 bilhão em financiamentos e mais R$ 1,2 bilhão em contrapartida do Estado e da prefeitura para a linha do monotrilho que vai ligar São Bernardo a São Paulo, para o corredor Capão Redondo Campo Limpo Vila Sônia, e para o corredor de ônibus da Inajar de Souza. Guarulhos, Campinas e São Bernardo também receberão recursos do governo federal.

No país, o PAC Mobilidade Urbana beneficiará mais de 53 milhões de pessoas direta e indiretamente e construirá 800 km de vias. Muniz fez questão de ressaltar que essa foi uma decisão da presidenta Dilma Rousseff, já que o transporte público não é competência do governo federal.

São Paulo também receberá investimentos para a Copa. Serão R$ 1,8 bilhão para o monotrilho que vai ligar o aeroporto de Congonhas à rede da CPTM no Morumbi.

Muniz explicou que no PAC 1, lançado pelo então presidente Lula, apesar de ter focado a questão do saneamento, São Paulo recebeu R$ 1,8 bilhão para o corredor Expresso Tiradentes.

“Acho que não dá pra falar que é uma participação insignificante, a ponto de dizerem que o governo federal não investe no transporte do Estado”, concluiu Muniz, com relação à frequente desculpa utilizada pelos tucanos.

O prefeito de Osasco, Emídio de Souza, falou sobre a importância de uma política de transportes para a Região Metropolitana, e não só para a capital. “Várias foram as medidas de restrição adotadas na cidade de São Paulo. Você restringe horário de circulação dos caminhões e as cidades viram grandes estacionamentos. Ou seja, você causa uma série de problemas por não existir a visão de conjunto. Há medidas pontuais que precisam ter tomadas conjuntamente”.

Emídio também lembrou do programa Expansão São Paulo, de José Serra, que, segundo ele, não passou de publicidade. “O Serra tem que explicar o que virou esse programa”, afirmou Emídio.

O professor Horácio Augusto Figueira criticou os altos investimentos no transporte individual, como no caso do Rodoanel, e defendeu uma fiscalização mais rigorosa no trânsito das cidades.

O deputado federal José de Fillipi apontou a falta de investimento por parte do governo estadual e um modelo de planejamento errado como os culpados pelo atraso no transporte de alta capacidade em São Paulo. Citou como exemplo o planejamento do governo para 2030, que ainda não atenderá um enorme contingente de pessoas na zona sul da capital.

“Estamos mal no presente e poderemos ficar pior no futuro. Cerca de 15 milhões de pessoas podem ficar de fora nesse planejamento”, concluiu Fillipi.

O deputado Gerson Bittencourt estruturou sua fala em alguns pontos: a construção das políticas públicas e o papel estratégico da mobilidade urbana na cidade; o protagonismo dos novos prefeitos, que devem ter atuação integrada nos sistemas municipais e metropolitanos; a integração dos sistemas de tráfego; a modernização da sinalização; e a criação de um plano integrado de transporte na metrópole.

Bittencourt apresentou dados importantes sobre o Bilhete Único, que, segundo ele, deveria ser metropolitano. No caso de Campinas, a população economizou, com a integração, de maio de 2006 a abril de 2012, R$ 390 milhões, de acordo com levantamentos.

“O transporte não é prioridade para o governo do Estado, governo esse que não tem planejamento e tem sido incapaz de promover uma gestão eficiente na mobilidade urbana. Nenhum plano do governo PSDB foi concluÍdo dentro do prazo. Necessitamos de um programa ousado, da implementação de políticas públicas rápidas e eficientes”, finalizou.

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