Estado paga R$ 11 milhões de aluguel por causa de obra que nem iniciou

25/08/2010 15:47:00

Desperdício de dinheiro e falta de planejamento

 

 

R$ 236 mil são pagos por mês desde maio de 2008, num total de R$ 11 milhões; contrato foi feito sem licitação

O governo de São Paulo paga desde maio de 2008 um aluguel mensal de R$ 236,7 mil por um prédio na área nobre dos Jardins (Capital) para abrigar provisoriamente a Secretaria de Economia e Planejamento durante a reforma da sua sede, que, porém, nem começou.

O aluguel do prédio -de 3.458 m2 e 14 andares, na alameda Jaú, próximo à avenida Paulista- é alvo de inquérito do Ministério Público de SP.

O contrato foi firmado por 48 meses, apesar de o prazo previsto para a reforma ser de 18 meses. No total, a locação custará R$ 11,364 milhões.

O imóvel, escolhido sem licitação, é do empresário Jorge Miguel Yunes, que ficou célebre ao emprestar R$ 800 mil ao ex-prefeito Celso Pitta entre 1997 e 1999 -ambos foram absolvidos da acusação de corrupção feita à época.

A escolha da sede provisória recaiu sobre a região com um dos metros quadrados mais caros da capital -R$ 150, segundo a empresa de consultoria CB Richard Ellis.

De acordo com a secretaria, o prédio foi “escolhido pela proximidade com o Palácio dos Bandeirantes e porque a região oferece preços substancialmente mais baixos que o Itaim Bibi [onde fica o edifício-sede da pasta]”.

O imóvel fica a 9 km do Palácio dos Bandeirantes, onde fica o gabinete do secretário, Francisco Vidal Luna. Outras secretarias -como a da Educação (praça da República) e a da Justiça (Pátio do Colégio)- ficam no centro, onde o metro quadrado custa em média R$ 27 e a distância para o palácio é de 13 km.

Reforma

A secretaria espera gastar até R$ 22,3 milhões na revitalização da sede no Itaim Bibi. O imóvel, de 15 andares, fica na rua Iguatemi, quase no cruzamento da avenida Faria Lima com a rua Tabapuã, outra área nobre da cidade.

O valor é mais que o dobro do que a Secretaria da Habitação reservou no Orçamento 2010 para investir na urbanização do Jardim Pantanal (zona leste), uma das mais afetadas pelas chuvas do último verão (R$ 7,8 milhões), e da favela de Paraisópolis, zona sul (R$ 10,3 milhões).

No prédio, trabalhavam cerca de 400 pessoas, que tiveram, segundo a secretaria, de ser remanejadas de forma gradual, o que levou ao hiato de mais de dois anos entre a assinatura do contrato de aluguel e a desocupação total do edifício, que só terminou em maio deste ano.

fonte: Folha de S. Paulo – 24/8/2010

 

 

 

 

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