´Estamos no prenúncio do caos´, diz ambientalista

14/08/2015

Falta de água

O governo do estado de São Paulo diz estar agindo para evitar o racionamento de água, adotando medidas como a política de descontos, o uso do volume morto, redução da pressão e obras emergenciais, mas para especialistas em meio ambiente, o que o governo está fazendo são paliativos que não vão resolver definitivamente o problema.

“Estamos no prenúncio do caos se as medidas adequadas não forem tomadas”, diz Carlos Bocuhy, do Instituto Brasileiro de Proteção Ambiental, entrevistado na edição desta quinta (13/8) do Seu Jornal, da TVT. Ele cobra de Alckmin planejamento e ações de médio e longo prazo, como o combate aos vazamentos, a recuperação da represa Billings, a despoluição dos rios Tietê e Pinheiros, a construção de novos reservatórios e a proteção dos mananciais.

Para ele, o governo paulista “toma decisões sem consultar nem academia – sem a visão científica – e sem debate amplo com a sociedade. Isso leva a decisões unilaterais, emergenciais, e nunca há um planejamento mais efetivo e eficiente rumo à sustentabilidade.”

Carlos concorda com o Tribunal de Contas do Estado (TCE) que nesta semana apontou a falta de planejamento como a principal causa da falta d`água. “É preciso responsabilizar o governo, principalmente com relação a atitude que o governo vem assumindo ao longo tempo, em que ele passa uma falsa segurança para a sociedade de que está tudo bem.”

Reservatórios

Após 19 dias sem chuva, o nível dos reservatórios que abastecem a região metropolitana da capital continua diminuindo. O mês de agosto normalmente é considerado o mais seco, e as chuvas só esperadas para a primeira quinzena de setembro.

Na quinta-feira, (13/8) o sistema Cantareira registrou a 12ª queda consecutiva e opera com 17,4% da capacidade, incluindo os dois volumes mortos já utilizados. O reservatório atende cerca de 6,5 milhões de pessoas da capital e de outros municípios.

Para aliviar o Cantareira no abastecimento destas regiões, a Sabesp tem utilizado outros sistemas, como o Guarapiranga e o Alto Tietê. Com isso, os volumes destes vêm caindo ainda mais rápido.

No sistema Guarapiranga, entre os dias 5 e 13 de agosto, o volume passou de 75% para 72,5%, uma queda de 0,3% por dia. Sem chuvas, o reservatório não consegue recuperar nada do que forneceu.

Para o mesmo período, o nível do reservatório Alto Tietê caiu de 17,6% para 16,4%, com queda de 0,2% por dia.

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