Estatísticas do governo Alckmin deixam de contabilizar homicídios

30/05/2011 14:34:00

Insegurança pública

 

Implantada no mês passado, a estatística mensal de índices criminais divulgada pela gestão do governador Geraldo Alckmin deixa de contabilizar homicídios.

O jornal Agora (em reportagem de 29/5) encontrou cinco casos, na Capital, registrados como homicídio pela Polícia Civil ou pela Corregedoria da PM que não constam das estatísticas criminais de fevereiro e de abril. Dois casos envolveram policiais militares de folga que reagiram a roubos e mataram suspeitos. Em outros dois foram encontrados cadáveres e o quinto caso foi a morte de um soldado com um tiro de fuzil.

Nas áreas das cinco delegacias onde ocorreram as mortes, as estatísticas mensais afirmam que não houve nenhum assassinato na região no mesmo período em que foram registrados os boletins de ocorrência de homicídio.

A Secretaria de Estado da Segurança Pública disse que os homicídios ocorridos em abril nas áreas do 16º DP (Vila Clementino), do 52º DP (Parque São Jorge) e do 103º DP (Cohab Itaquera) serão contabilizados na estatística e responderá, nesta semana, o motivo de o caso do 33º DP (Pirituba) não ter sido computado na estatística mensal. O do 74º DP (Parada de Taipas) só será contabilizado em julho.

A pasta disse que a correção dos dados depende de trâmites burocráticos. A mudança depende do tempo em que a CAP (Coordenadoria de Análise e Planejamento), que elabora as estatísticas, leva para ser informada oficialmente por órgãos das polícias Civil e Militar sobre cada ocorrência

Casos também não são resolvidos

Em São Paulo, a Secretaria da Segurança Pública diz que 60% dos homicídios foram esclarecidos em 2010 – dos 1.196 casos registrados, 788 foram solucionados, de acordo com a pasta. Nem todos os casos elucidados, entretanto, são referentes às mortes do ano passado.

A Secretaria, também, não informou em quantos suspeitos presos resultaram os esclarecimentos. Segundo a pasta, a polícia tem a qualificação completa dos autores de crimes solucionados.

Na Capital e Grande São Paulo, o Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) é a unidade especializada em investigar as mortes intencionais e dados extraoficiais mostram que só 40% dos homicídios são resolvidos.

Falta investimento

Dados levantados pela Assessoria Técnica da Bancada do PT na Assembleia Legislativa mostram que, entre 2005 e 2010, o governo do Estado reduziu em 13% (cerca de R$ 65 milhões) os recursos destinados à Polícia Civil,  que é responsável por elucidar crimes.

A Polícia Civil de São Paulo, tal como as demais polícias do país, apresenta baixo rendimento na apuração dos delitos, especialmente homicídio, em virtude da precariedade da sua infraestrutura, segundo análise do jurista Luiz Flávio Gomes.

Segundo ele, a polícia-técnica conta com condições um pouco melhores que outras, mas também não está apta a apresentar provas periciais em todas as infrações. O método mais utilizado pela polícia para descoberta de autoria continua sendo a confissão. E no lugar da confissão deveríamos ter muitas provas técnicas.

As polícias estão sucateadas e a remuneração dos policiais, especialmente em São Paulo, está bastante defasada. Basta lembrar, que o salário dos delegados de São Paulo é um dos piores do Brasil.

*com informações dos jornais Agora e Diário de S. Paulo

 

 

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